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Mudanças climáticas impulsionam desastres nos Himalaias, afirma pesquisador chinês

Colapso de geleira na fronteira entre China e Nepal matou 1.385 pessoas e deixou 5.519 desaparecidos, segundo autoridades locais.

O aquecimento global e as mudanças climáticas impulsionam a ocorrência de desastres ligados ao colapso de gelo e rochas nos Himalaias, afirmou Su Pengcheng, pesquisador do Instituto de Desastres de Montanha e Meio Ambiente da Academia Chinesa de Ciências.

A declaração foi dada durante uma coletiva no Condado de Gyirong, também chamado de Jilong, em Xigaze, na Região Autônoma de Xizang. O encontro tratou do desastre provocado pelo colapso de uma geleira no lado nepalês da fronteira com a China.

Su afirmou que a região combina condições geológicas complexas e atividade tectônica frequente. Ele citou os terremotos do Nepal em 2015 e no ano passado como exemplos. Para enfrentar o aumento da frequência de catástrofes raras, o pesquisador defendeu estudos sobre identificação e avaliação de riscos, modelos de simulação de cadeias de desastres e monitoramento ampliado desde as áreas de origem.

Dimensão do colapso

O desastre de 26 de agosto destruiu 27 prédios na área da aduana de Jilong, incluindo o edifício de cinco andares e a Ponte da Amizade, que conectava China e Nepal. As vítimas dos dois países somam 1.385 mortos e 5.519 desaparecidos: 43 mortos e 519 desaparecidos no lado chinês; no Nepal, 1.342 mortos e mais de 5 mil desaparecidos, entre eles 589 estrangeiros.

A origem foi o colapso de um lago glacial com dezenas de milhões de metros cúbicos. O evento provocou um deslizamento de gelo e rochas a aproximadamente 5.200 metros de altitude. O material percorreu 22 quilômetros em menos de sete minutos até chegar ao porto terrestre, situado a cerca de 1.800 metros. No território chinês, o fluxo de rochas e lama avançou três quilômetros contra a corrente do rio Donglin Zangbo.

Ba Renji, engenheiro pesquisador sênior do Serviço Geológico da China, explicou que sedimentos glaciais se romperam na parte inferior da encosta e formaram um fluxo de detritos em alta velocidade. Ao encontrar uma barreira, o material atingiu a encosta oposta, onde se formou uma barragem temporária. A ruptura dessa estrutura desencadeou o desastre. A queda de mais de 3 mil metros liberou grande quantidade de energia.

Resgate e riscos persistentes

Mais de 2.300 socorristas e 8.800 equipamentos trabalham na área, dividida em sete setores. A prioridade inicial foi liberar e reconstruir três quilômetros da Rodovia Nacional G216, única via de acesso à região. A zona central, onde ficava o posto fronteiriço, foi a mais atingida.

Segundo Zhou Zhidong, especialista em geologia do Grupo China Anneng, a busca combina máquinas pesadas e trabalho manual, com a remoção gradual dos detritos até alcançar o nível original do solo. Ren Wei, vice-presidente executivo do Governo Popular da Região Autônoma de Xizang, informou que 499 moradores foram transferidos para hotéis e pousadas sem custo. Também foram retirados 555 turistas retidos na área, e 1.720 residentes nepaleses na fronteira receberam apoio para sua subsistência.

Deng Buchuan, vice-diretor do Departamento de Resgate a Desastres Especiais do Corpo de Bombeiros de Xizang, apontou as quedas de rochas como a principal preocupação atual. Su disse que o monitoramento é permanente e que 20 especialistas utilizavam mais de 100 equipamentos na região. Na manhã da visita à zona de origem do colapso, foram registradas mais de dez mini-avalanches de gelo.

O pesquisador afirmou que grandes colapsos isolados de gelo e rocha podem bloquear o canal. Entre os riscos estão represamentos localizados e barragens temporárias de pequena escala. Em situações extremas, pode ocorrer o bloqueio e a ruptura de um canal, ameaçando principalmente as equipes de resgate que atuam rio abaixo.

Ge Daqing, vice-diretor do Centro Chinês de Levantamento Aerogeofísico e Sensoriamento Remoto de Recursos Naturais, disse que imagens nítidas da região podem ser obtidas em apenas cerca de 20 dias por ano. A maior parte dos dados ópticos recebidos recentemente estava coberta por nuvens.

Como a origem do colapso fica fora do alcance do monitoramento chinês, Su defendeu mecanismos de cooperação e intercâmbio de dados entre os países da região do Himalaia.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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