O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, relembrou as palavras de Fidel Castro no aniversário de 25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Ao comentar a data, Díaz-Canel afirmou que o país enfrenta há mais de 60 anos ataques terroristas e acusou os Estados Unidos de manterem políticas de pressão contra a ilha.
Fidel Castro havia defendido uma ação internacional contra o terrorismo e criticado o uso de mortes e métodos violentos como resposta. Díaz-Canel retomou esse argumento ao afirmar que Cuba sofre atualmente um plano para render a população pela fome, em referência à asfixia energética e à ampliação das políticas de guerra econômica desde o final de janeiro deste ano.
“Cuba, que sofreu por mais de 60 anos ataques terroristas de diversos tipos, com um saldo de mais de 3.400 mortos e 2.099 feridos, enfrenta hoje um plano genocida para render o povo pela fome”, afirmou Díaz-Canel.
Ataques após a Revolução
A cronologia apresentada pelo governo cubano começa depois do triunfo da Revolução, em 1959. Entre os primeiros episódios estão a explosão do navio francês La Coubre, em 1960, o incêndio da loja El Encanto, em 1961, e a invasão da Baía dos Porcos, no mesmo ano.
Após a derrota das forças que tentaram invadir a ilha pela Baía dos Porcos, os Estados Unidos impuseram o bloqueio contra Cuba e apoiaram organizações contrarrevolucionárias sediadas principalmente em seu território. Essas organizações realizaram ações armadas e atentados contra alvos cubanos dentro e fora da ilha.
Um dos casos mais graves ocorreu em 6 de outubro de 1976. Duas bombas explodiram em pleno voo pouco depois da decolagem de uma aeronave da companhia estatal Cubana de Aviación, que havia partido de Barbados. As 73 pessoas a bordo morreram, entre elas 57 cubanos e 24 integrantes da equipe nacional juvenil de esgrima.
O atentado foi atribuído à Coordenação de Organizações Revolucionárias Unidas (CORU), aliança clandestina criada em junho de 1976, na República Dominicana. Entre os dirigentes ligados ao grupo estavam Luis Posada Carriles e Orlando Bosch.
Explosões em Havana e confronto marítimo
Na década de 1990, Posada Carriles foi apontado como um dos principais responsáveis por ataques com explosivos contra instalações turísticas em Havana. Entre abril e setembro de 1997, hotéis e outros locais receberam atentados, incluindo Copacabana, Capri, Nacional, Tritón e La Bodeguita del Medio.
No Hotel Copacabana, a explosão matou o turista italiano Fabio Di Celmo e feriu cerca de uma dúzia de pessoas. A campanha foi ligada a organizações da direita cubana em Miami, à Fundação Nacional Cubano-Americana e a Posada Carriles, que morreu em Miami em 23 de maio de 2018, aos 90 anos.
Outro episódio citado ocorreu em 25 de fevereiro deste ano. Uma unidade das Tropas de Guarda-Fronteiras de Cuba interceptou uma lancha rápida com matrícula da Flórida em águas territoriais cubanas. Os ocupantes abriram fogo contra os militares. Quatro morreram e seis ficaram feridos.
Segundo o governo cubano, a embarcação transportava fuzis, pistolas, coquetéis molotov, equipamentos de assalto, dispositivos de visão noturna, baionetas, roupas de camuflagem e munição. O episódio foi classificado como uma “infiltração com fins terroristas”.







