Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Douglas Ruas enfrenta questionamentos sobre família, contratos e empresas

Candidato do PL é citado em investigações e auditorias que envolvem relações políticas, negócios privados e recursos públicos.

Rio de Janeiro - Acusações de ligação com milícia e política como negócio de família: conheça as suspeitas que cercam Douglas Ruas

A trajetória política de Douglas Ruas passou a ser acompanhada por questionamentos sobre relações familiares, contratos públicos, empresas e investigações. O candidato do PL é filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, e irmão de Nelson Ruas Filho, vereador do município. Antes de chegar à Assembleia Legislativa do Rio e ao governo estadual, Douglas trabalhou na administração do pai.

Não há, no material analisado, indicação de que Douglas tenha pertencido ou pertença a uma milícia. As suspeitas relacionadas à família remontam principalmente ao histórico de Capitão Nelson, citado na CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio, em 2008, com base em informações do Disque-Denúncia. O inquérito foi arquivado, e o prefeito apresentou, em 2024, certidão à Justiça Eleitoral informando que não respondia a processo ligado ao episódio.

Política e contratos em São Gonçalo

Durante a gestão do pai, Douglas comandou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais, responsável por convênios que permitiam ao município receber recursos estaduais e federais. Desde 2020, São Gonçalo recebeu R$ 250,5 milhões do chamado orçamento secreto. Desse total, R$ 17,2 milhões foram destinados à pavimentação por indicação do deputado federal Altineu Côrtes, presidente estadual do PL e ex-empregador de Douglas.

Na campanha para a Alerj em 2022, o empresário Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil à candidatura. Três anos depois, uma empresa controlada por Neves assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo, administrada por Capitão Nelson. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 61 mil pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde e foi feito por dispensa de licitação. A empresa havia sido criada dois meses antes.

Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, havia sido sócia de Neves em duas empresas. Ele deixou essas sociedades em agosto de 2025. Douglas afirmou desconhecer a contratação e disse que não ocupava cargo na prefeitura naquele momento. A prefeitura declarou que a locação seguiu os procedimentos legais.

Apurações sobre empresas e patrimônio

Em junho de 2026, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu uma apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, empresa de Douglas e do irmão, e a DM Invest, sociedade que envolve Douglas e Letícia Felício. O órgão pediu informações sobre possíveis pagamentos do governo estadual. A Procuradoria-Geral do Estado informou que não encontrou pagamentos às duas empresas.

Também existe, desde maio de 2023, um inquérito civil sobre possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.

Entre 2023 e 2025, empresas ligadas a Douglas e à mulher dele compraram imóveis e precatórios avaliados, nas escrituras, em mais de R$ 15 milhões. Em documento registrado na Junta Comercial, a Saur declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados e previu a distribuição dos valores até 2028. Douglas teria direito a aproximadamente R$ 15,9 milhões. Ele afirmou que a empresa atua no setor de logística e passou a investir em imóveis e ativos financeiros a partir de 2023.

Auditoria na Secretaria de Cidades

Uma auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades, comandada por Douglas entre 2023 e março de 2026, apontou possíveis irregularidades. Um dos pontos foi um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento, que teria passado de R$ 99,7 milhões para R$ 144,9 milhões.

O relatório também citou relações empresariais envolvendo pessoas próximas a Altineu Côrtes. Como o deputado possui foro, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República. Douglas e os demais citados negaram irregularidades.

Os procedimentos ainda não comprovam crime. Parte das apurações continua em andamento, enquanto o caso relacionado à CPI das Milícias foi arquivado. O conjunto dos episódios, porém, colocou sob escrutínio a concentração de influência política da família Ruas em São Gonçalo e suas relações com empresas e recursos públicos.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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