Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Emenda de R$ 200 mil liga gabinete de Flávio a investigação no Rio

PF apura possível desvio de recurso destinado a projeto esportivo após negociações entre assessora do senador e Robson Calixto, condenado no caso Marielle.

Emenda de R$ 200 mil liga gabinete de Flávio a investigação no Rio

A Polícia Federal investiga a destinação de uma emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro a um projeto esportivo no bairro Taquara, no Rio de Janeiro. O recurso, de R$ 200 mil, foi enviado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), que mantém o projeto social “Jogadores do Futuro”, voltado à inserção de crianças no futebol.

A apuração envolve conversas entre a assessora parlamentar Maria de Fátima Bezerra Castro e Robson Calixto, conhecido como “Peixe”. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em fevereiro de 2026, pelos assassinatos de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. A PF afirma haver indícios de desvio de recursos de emendas destinadas a entidades do Rio de Janeiro vinculadas aos Brazão.

Segundo a investigação, Calixto iniciou negociações sobre a construção de imóveis em Taquara em setembro de 2023. No mês seguinte, pediu dinheiro para a ONG do bairro. As tratativas com a assessora de Flávio teriam durado cerca de cinco meses, de outubro de 2023 a fevereiro de 2024. Em uma mensagem, Calixto escreveu: “Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar”.

Depois de um pedido em 23 de outubro de 2023 e de uma nova cobrança sete dias depois, o Ifop recebeu a emenda em 23 de novembro de 2023. A região é descrita no relatório final da CPI das Milícias como um “curral eleitoral” controlado por milicianos.

Irregularidades apontadas

O Tribunal de Contas da União identificou problemas em contratações realizadas com o dinheiro. Entre elas, está um contrato com o escritório de advocacia de Rômulo Oliveira Alves, presidente do Ifop, sem relação com o projeto esportivo. O TCU classificou a situação como “inusitada”, porque Alves administrava o recurso público e também era beneficiário indireto da contratação.

Flávio afirmou que a emenda seguiu a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. O senador também disse que a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade, não dele.

A investigação ocorre em um contexto de outros vínculos do senador com pessoas relacionadas à milícia. Quando era deputado estadual, Flávio apresentou, em 2003, uma moção de louvor ao policial militar Adriano da Nóbrega. Mais tarde, Nóbrega foi apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e um dos chefes do “Escritório do Crime”. Ele morreu em 2020, em confronto com policiais na Bahia.

Em 2005, enquanto Nóbrega estava preso por homicídio de um guardador de carros, Flávio propôs que ele recebesse a medalha Tiradentes. O senador também empregou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Danielle Mendonça e Raimunda Veras Magalhães, respectivamente esposa e mãe do policial. As duas foram exoneradas em 2018, quando Flávio foi eleito para o Senado e se tornaram públicas suspeitas de desvio de verbas no gabinete, no caso conhecido como rachadinhas.

Durante uma sabatina na campanha de 2026, Flávio disse que as homenagens ocorreram antes das acusações contra Nóbrega. “A homenagem foi feita no momento em que ele era um policial reconhecido”, afirmou.

Avaliação sobre a candidatura

Para José Cláudio Alves, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a base política de Flávio aceita e reforça vínculos com uma estrutura miliciana associada à violência extrema. O pesquisador afirmou que o senador homenageou Nóbrega, empregou parentes dele e circula nesse meio, embora negue ter vínculos com essas pessoas.

Camila Rocha, cientista política e diretora científica do Centro para Imaginação Crítica do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, avaliou que a destinação da emenda pode aumentar a rejeição entre eleitores indecisos. Para ela, acusações de ligação com milícias e criminalidade violenta são um diferencial negativo de Flávio e podem provocar medo e desconfiança.

A cientista política também afirmou que o tema pesa entre eleitores que pretendem votar em Flávio por ele ser filho de Jair Bolsonaro, mas não demonstram entusiasmo com sua candidatura. Na avaliação dela, o senador tende a se esquivar das denúncias porque o assunto prejudica sua imagem.

A emenda para o Ifop é a segunda situação em que o nome de Flávio aparece em investigações da PF. O senador também está no inquérito que apura um pedido de recursos a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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