A sequência foi confirmada com uma lanterna e um espelho: vidro, planta e parede reproduziram a figura que parecia atravessar o corredor. O teste mostrou que a sombra não vinha de uma pessoa, mas da combinação entre o farol de um ônibus, um carro estacionado e uma planta de folhas compridas.
O fenômeno acontecia perto de 22h43. A janela do corredor ficava voltada para uma avenida a poucos metros, e os faróis costumavam alcançar o teto quando os veículos faziam a curva. Ainda assim, a forma projetada parecia mais definida do que um reflexo comum.
Denise registrou horários e percebeu que a sombra surgia entre 22h41 e 22h45. Não havia passos, ruído no portão nem movimento no quintal. Ela também verificou a área externa, trocou a lâmpada e pediu ao irmão que acompanhasse a observação.
O fechamento das cortinas não interrompeu completamente o efeito. O clarão apenas enfraqueceu e continuou entrando por cima da porta, onde havia um vidro decorativo estreito, perto do teto. Quando Denise cobriu esse vidro com cartolina, nenhuma sombra apareceu.
A pista decisiva veio do lado de fora. No horário marcado, o irmão viu um ônibus passar. O farol atingiu a lateral brilhante de um carro estacionado na casa em frente, e a superfície refletiu a luz na direção do vidro alto.
Dentro do corredor, o feixe encontrava a planta e lançava seu contorno em movimento sobre a parede. Enquanto o ônibus avançava, o ângulo do reflexo mudava: a projeção crescia, atravessava a parede e diminuía, criando uma forma semelhante a pernas e tronco.
A ausência do carro na vaga também explicava as noites em que Denise esperou sem ver a imagem. No sábado, a família repetiu o trajeto com uma lanterna e um espelho, sem apontar para motoristas, e reproduziu a sequência.
A explicação se relaciona à óptica geométrica, área que descreve como a luz muda de direção ao atingir superfícies. Depois, Denise colocou uma película opaca no vidro e mudou a planta de lugar. O ônibus continuou passando, mas a figura deixou de cruzar a casa.







