A família de Teresa começou a deixar pedaços de mamão no quintal para observar um gambá que aparecia à noite. Chamado de Fubá antes mesmo de saberem se era sempre o mesmo animal, ele surgia perto do muro, passava sob as plantas e desaparecia pouco depois.
O costume virou uma rotina: a luz era apagada, todos iam à janela e um pires com fruta ficava no chão. Com o tempo, porém, o gambá passou a rondar o mesmo corredor e a família ouviu arranhões no forro da área de serviço. Teresa percebeu que o quintal talvez tivesse deixado de ser apenas um caminho de passagem.
Sinais no forro
Pela manhã, ela encontrou marcas perto de uma telha deslocada. Miguel quis fechar a abertura, mas Teresa pediu cautela diante da possibilidade de haver um animal ou filhotes no espaço. A família também não queria tocar em um bicho assustado nem prendê-lo sem saber se estava sozinho.
Eles interromperam a oferta de frutas e mantiveram cães e crianças longe da área. À distância, observaram um gambá entrar pela abertura, mas não conseguiram confirmar se era Fubá. Para avaliar a ocupação e fazer o manejo com segurança, procuraram o serviço de fauna responsável pela região.
Enquanto aguardavam orientação, guardaram os alimentos e fecharam bem o lixo. A recomendação foi verificar se o abrigo estava desocupado e se havia filhotes antes de impedir o acesso. A família não tentou capturar o animal, usar produtos no forro ou bloquear a passagem durante a madrugada.
Mudança de hábito
A filha ficou contrariada quando o pires deixou de aparecer. Para ela, retirar a comida parecia abandonar Fubá. Teresa explicou que observar o gambá era diferente de fazê-lo depender do quintal para se alimentar. Como lembrança, pediu que a menina desenhasse o focinho, a cauda e o jeito cuidadoso de se aproximar. O desenho foi colocado na geladeira.
Miguel chegou a perguntar se poderiam construir uma casinha para afastar o animal do telhado. A orientação recebida foi primeiro confirmar se o forro estava ocupado e só vedar a abertura quando houvesse segurança. Uma nova estrutura perto da casa poderia manter a aproximação.
Quando o espaço ficou desocupado, a família pediu o reparo da telha e fechou o acesso. Também retirou restos de fruta e objetos que atraíam animais para perto da casa. Depois disso, ainda viu um gambá atravessar o muro, mas não foi possível saber se era o visitante apelidado de Fubá.
O forro permaneceu silencioso, e a telha consertada resistiu à chuva da semana seguinte. Ninguém saiu com comida para tentar prolongar o encontro. O nome Fubá continuou nas conversas, agora acompanhado da possibilidade de ter sido usado para mais de um gambá.
A experiência levou Teresa a separar duas atitudes: observar e evitar conflito. A família concluiu que era possível manter a curiosidade pela fauna sem oferecer alimento nem bloquear as saídas de um animal silvestre. A menina passou a procurar rastros e aves durante o dia, enquanto Miguel ficou atento às telhas e ao lixo.







