Um experimento com ratos Wistar mostrou que o treinamento aeróbico pode alterar a estrutura dos nervos que participam do controle dos batimentos cardíacos. Após dez semanas de atividade moderada em esteira, os animais apresentaram mudanças nos gânglios estrelados, estruturas do sistema nervoso simpático envolvidas na coordenação do ritmo e do trabalho do coração.
O gânglio estrelado direito passou a ter cerca de quatro vezes mais neurônios que o esquerdo. No lado esquerdo, as células aumentaram quase duas vezes de volume. Os resultados indicam uma resposta diferente em cada lado: enquanto o direito apresentou aumento na quantidade de células, o esquerdo teve expansão do tamanho celular.
A análise foi conduzida por equipes da University of Bristol e da University College London, em colaboração com especialistas da USP e da UNIFESP. Os pesquisadores Augusto Coppi e Fernando Vagner Lobo Ladd lideraram a avaliação do tecido simpático dos animais. O trabalho foi divulgado no periódico científico Autonomic Neuroscience.
Como as alterações foram identificadas
Para medir as diferenças nos gânglios, os pesquisadores usaram estereologia tridimensional, uma técnica de microscopia quantitativa que permite estimar o número total de células e a densidade de volume das amostras. O método também possibilitou comparar diretamente os gânglios estrelados direito e esquerdo.
O estudo utilizou esteira rolante para estabelecer o treinamento aeróbico moderado e examinou a assimetria neural depois do período de exercício. A análise foi feita em um modelo animal de laboratório, sem permitir conclusões definitivas sobre o que ocorre em seres humanos.
Segundo os resultados, ainda são necessários novos ensaios clínicos para verificar se transformações semelhantes aparecem em pessoas. A compreensão da atuação do sistema nervoso autônomo em cada lado do coração poderá orientar estudos sobre intervenções direcionadas para arritmias e desordens coronárias.







