Domingo, 6 de setembro de 2026
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Jogos independentes transformam referências brasileiras em novas aventuras

Produções inspiradas em quilombos, povos indígenas, folclore e paisagens do país levam a diversidade cultural brasileira aos games.

Jogos independentes transformam referências brasileiras em novas aventuras

Estúdios independentes brasileiros estão usando referências da cultura do país para criar jogos que combinam aventura, fantasia e crítica social. As produções passam por histórias de quilombos, mitos indígenas, folclore, literatura e paisagens como o sertão nordestino e a floresta amazônica.

Em “Dandara”, lançado em 2018 pelo estúdio mineiro Long Hat, a personagem principal é inspirada na guerreira e liderança do Quilombo dos Palmares. No mundo de Sal, antes habitado por espíritos livres, ela enfrenta a opressão e busca a própria liberdade. A aventura também inclui uma personagem inspirada no Abaporu, de Tarsila do Amaral.

O jogo tem animação 2d e segue o gênero “Metroidvania”, no qual novas habilidades permitem avançar pela história. A movimentação ocorre por saltos entre chão, teto e paredes. “Dandara” foi desenvolvido em Belo Horizonte, Minas Gerais, e está disponível para console, PC, Nintendo Switch e mobile.

Povos indígenas e a floresta

Em desenvolvimento pelo Vortex Indie Games, “Turi – Kaapora” acompanha uma entidade guardiã ancestral da floresta amazônica. Kaapora enfrenta a devastação provocada por uma empresa e usa instrumentos indígenas, a força de animais encantados e entidades espirituais para proteger o território de Nhe’ery.

O jogo, inspirado na cosmovisão indígena tupi-guarani, terá animação em 3d. As escolhas feitas durante a aventura alteram as possibilidades de luta da personagem. O nome “Turi – Kaapora” significa fogo de caipora na língua tupi-guarani.

A ideia surgiu durante o curso de Design de Games da Universidade Anhembi Morumbi, no Trabalho de Conclusão de Curso do grupo que formou o estúdio. A equipe buscou criar representações respeitosas e contou com consultores, atores e atrizes falantes de línguas indígenas, além de profissionais de tradução.

Victória Motta, diretora de arte do Vortex Indie Games, disse que a missão do estúdio é “olhar para dentro e mostrar o quanto existe aqui”. O grupo pretende levar o jogo a diferentes comunidades indígenas, com traduções para o Tupi Potiguara, o Guarani Mbya e o Nheengatu.

O estúdio ainda não tem previsão de lançamento para “Turi – Kaapora” por falta de recursos. A intenção é disponibilizar uma demo com a primeira das cinco partes do jogo na plataforma Steam. A expectativa é concluir e lançar a produção dentro de dois anos, caso o projeto consiga financiamento por edital.

Outro jogo criado em colaboração com um povo indígena é “Huni Kuin: Beya Xinã Bena”, desenvolvido pela Associação dos Povos da Terra (Apoti) e pelo estúdio Philosophical School of Games. A produção reúne sete histórias ancestrais do povo Huni Kuin do Acre, com fases baseadas em mitos, cantos, animais sagrados e seres encantados. O lançamento está previsto para até o final do 3º trimestre de 2026.

Quilombos, sertão e folclore

“Mandinga: A Tale of Banzo”, de 2021, se passa no período colonial brasileiro e acompanha Akil, de origem mandinga, e Obadelê, guerreiro iorubá e mestre da capoeira. Trazidos à força do continente africano, os dois lutam contra a escravização e buscam a liberdade.

Na história, os personagens fogem para o Quilombo de Urubu, na Bahia, liderado por Zeferina. A multiplicidade dos protagonistas foi pensada para destacar as diferenças entre as identidades dos povos africanos escravizados.

Também lançado em 2021, “Língua” acompanha Beto, um garoto que vive em uma pequena fazenda no sertão nordestino. Depois que seu bode desaparece na caatinga, ele entra em um mundo encantado inspirado no folclore brasileiro. Desenvolvido por Guilherme Giacomini, o jogo foi lançado em outubro de 2021.

“A nova Califórnia”, de 2017, adapta o conto de Lima Barreto. Na cidade de Tubiacanga, no interior do Rio de Janeiro, o jogador investiga o roubo de ossadas no cemitério local enquanto acompanha a chegada de um forasteiro misterioso. A experiência combina ação, aventura e recursos ligados ao ego, à ética e à ganância.

Inspirado no sertão nordestino, “Arida: Backland’s Awakening”, lançado em 2019, apresenta a jornada de Cícera em busca dos pais. Ambientado no fim do século XIX, na Bahia, o jogo faz referências à região de Canudos e à Guerra de Canudos, ocorrida em 1896. A personagem usa ferramentas como facão e enxada para enfrentar a seca e conta com os conselhos dos moradores mais velhos.

O jogo foi financiado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia por meio do Edital de Culturas Digitais (FCBA) de 2014. O sucesso da produção levou ao desenvolvimento de “Arida 2”.

Por fim, “Cuca Catch”, lançado oficialmente em 2022, usa o folclore brasileiro e uma estética inspirada em cordel e xilogravura. Voltado para aparelhos móveis, o jogo utiliza tecnologia de identificação facial: sobrancelhas e movimentos da boca controlam o personagem, que precisa coletar ingredientes para se tornar o melhor aprendiz da Cuca, personagem do Sítio do Picapau Amarelo.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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