Domingo, 6 de setembro de 2026
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Como a convivência em grupo pode apoiar a saúde mental de jovens

Projetos com interesses em comum ajudam adolescentes a desenvolver confiança, empatia, liderança e senso de pertencimento.

Como a convivência em grupo pode apoiar a saúde mental de jovens

Projetos coletivos voltados a adolescentes mostram como a convivência com pessoas da mesma idade pode apoiar o desenvolvimento de habilidades sociais e contribuir para a saúde mental. Iniciativas ligadas ao meio ambiente e à participação em políticas públicas relatam ganhos em comunicação, autoconfiança, empatia e capacidade de trabalhar em equipe.

A experiência de Ryan, de 13 anos, começou na comunidade rural do Brito, em Cascavel, no interior do Ceará. Antes de participar do Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Ceará, ele tinha contato principalmente com os colegas da escola rural e os três irmãos. Depois de participar de uma conferência e conhecer o grupo, passou a representar sua comunidade em reuniões e eventos.

“Desde que participei da Conferência para o Meio Ambiente e conheci o Coletivo Jovem, pude aprender com muitas pessoas e me expressar mais em público”, afirma Ryan.

Participação que fortalece a confiança

O coletivo é vinculado a projetos do Ministério do Meio Ambiente. Nas escolas onde atua, estudantes interessados começam como delegadinhos e participam de reuniões e comissões sobre meio ambiente, segundo Bárbara Cruz, coordenadora e mobilizadora do grupo.

Ela observa que o envolvimento está associado a mais participação na escola, interesse pelos estudos e desenvolvimento de habilidades de liderança. A sensação de pertencer a um grupo e de ser valorizado também pode estimular a continuidade dos adolescentes nas atividades.

Bárbara relata ainda que participantes tímidos ou inseguros passam a defender melhor suas ideias. Entre os aprendizados percebidos estão a ampliação das amizades, o trabalho em equipe, a empatia e a convivência com pessoas de diferentes realidades e opiniões.

Valter Júnior, de Groaíras, no Ceará, entrou no coletivo aos 13 anos e hoje tem 26 anos. Para ele, a experiência envolveu socialização, liderança, mobilização social, escuta, diálogo e trabalho em equipe. Jean Júnior, de Maracanaú, também no Ceará, passou a mobilizar estudantes em escolas do estado e relaciona o projeto ao desenvolvimento do senso crítico e à transformação da conscientização individual em ação coletiva.

Pertencimento e saúde mental

O relatório do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), que reuniu pesquisas sobre crianças e adolescentes no Brasil, aponta que entre 11 e 20% da população de 10 a 19 anos enfrenta algum transtorno mental no país. Nesse contexto, encontros regulares, tarefas compartilhadas e um objetivo comum podem estimular habilidades sociais e reduzir o isolamento, conforme avaliação de Carolina Costa, gerente nacional do Child Mind Institute (CMI).

Em Manaus, Isadora, de 17 anos, conta que tinha dificuldade para conversar com pessoas fora da família. No Juntô Jovem, passou a integrar um comitê formado para discutir e sugerir melhorias nas políticas públicas de saúde mental de crianças e adolescentes.

O projeto é coordenado pelo IEPS e pelo CMI, organização internacional de pesquisa e ações na área. Atualmente, o comitê reúne 11 adolescentes e jovens das cinco regiões do país. Para Isadora, ouvir pessoas com diferentes histórias ampliou sua visão sobre saúde mental e ajudou no reconhecimento das próprias emoções.

Daniel, de 20 anos, participa do Juntô no Rio de Janeiro. A experiência, segundo ele, contribuiu para observar com mais atenção as histórias, origens e diferenças presentes na vida de outras pessoas.

Protagonismo e apoio dos adultos

Carolina Costa afirma que relações afetivas capazes de gerar pertencimento ajudam os adolescentes a se sentirem compreendidos e aceitos. Para ela, o convívio em grupo, junto de hábitos saudáveis e boas condições de vida, pode apoiar o enfrentamento do estresse e das adversidades.

A participação também favorece o protagonismo. Quando percebem que podem contribuir para mudanças ao redor, os jovens passam a se reconhecer como agentes de transformação. A troca entre pares pode apoiar decisões relacionadas à identidade, à sexualidade e ao futuro, além de dar mais espaço para que suas opiniões sejam consideradas.

Para criar um coletivo, Carolina recomenda que os adultos ofereçam escuta ativa, levem em conta temas presentes no cotidiano dos jovens e apresentem referências de outros adolescentes envolvidos em iniciativas. Entre os assuntos possíveis estão saúde mental, meio ambiente, cultura, educação e oportunidades para o futuro.

A manutenção do grupo pode ser organizada com responsabilidades compartilhadas, evitando que as tarefas fiquem concentradas em uma pessoa. Também é possível mobilizar novos participantes pelas redes dos próprios integrantes e manter o contato por ferramentas digitais, como grupos no WhatsApp e perfis no Instagram ou no TikTok.

Por fim, o espaço precisa fazer sentido para quem participa. Pertencimento, voz, aprendizado, possibilidade de transformar uma realidade e construção de relações são alguns dos motivos que podem manter o vínculo com o coletivo. A falta de participação, porém, nem sempre indica desinteresse: estudos, trabalho, cuidados com irmãos, deslocamentos longos e poucos recursos também podem dificultar a permanência.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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