Uma expedição ao Monte Ararat, na Turquia, mapeou a estrutura de sua calota glacial para preparar futuras perfurações. O objetivo é identificar áreas estáveis para retirar amostras cilíndricas completas, sem fraturas que prejudiquem a leitura da sequência temporal preservada no gelo.
O trabalho foi realizado durante duas semanas, a mais de cinco mil metros de altitude e sob condições climáticas severas. Especialistas usaram radares terrestres e métodos sísmicos ativos para medir a espessura das geleiras e reconhecer a formação rochosa sob elas.
Um arquivo congelado
As camadas de gelo acumulam materiais ao longo do tempo, de forma semelhante aos sedimentos geológicos. Entre os vestígios que podem estar preservados estão partículas de poeira desértica, cinzas de erupções vulcânicas antigas e resíduos metálicos ligados às primeiras atividades de fundição de comunidades primitivas.
A preservação em camadas contínuas permite diferenciar períodos sem misturar horizontes temporais. Com isso, a análise pode ajudar a identificar fases agrícolas pioneiras e emissões provocadas por queimadas associadas ao desenvolvimento de povos em épocas remotas.
Uma área entre rotas históricas
O Monte Ararat fica na convergência entre a Anatólia, a Mesopotâmia e o Cáucaso. A região é relacionada ao surgimento da agricultura, ao avanço de técnicas de transformação de metais e a rotas migratórias e comerciais que conectavam continentes.
As geleiras do Oriente Próximo ainda representam uma lacuna nos estudos de paleoclima, enquanto cadeias montanhosas europeias já forneceram dados por meio de perfurações. O projeto pode contribuir para comparar oscilações climáticas globais com mudanças sociais e o declínio de impérios antigos.
Pressa para preservar as amostras
O aquecimento global vem reduzindo a espessura da calota no cume turco. O derretimento ameaça apagar registros ambientais que permaneceram preservados por milhares de anos.
Por isso, os pesquisadores buscam retirar o núcleo antes que a perda de massa glacial destrua essas evidências. As amostras profundas podem manter informações sobre transformações ambientais, práticas agrícolas e atividades humanas do passado.







