SÃO PAULO — Uma contribuição opcional no caixa ajuda a manter o Instituto Baru, no Butantã, em São Paulo. O espaço apresenta nas gôndolas o preço sugerido pelos produtores e propõe que o consumidor acrescente 35% ao valor da compra — ou outro montante, para mais ou para menos.
A prestação de contas sobre esse recurso fica exposta atrás do caixa. Edgard Galvão, associado do instituto, afirma que a transparência também inclui informar quanto é pago aos agricultores. A proposta é manter uma relação direta entre quem produz e quem compra, sem intermediários.
Do campo ao bairro
O Baru recebe alimentos orgânicos e agroecológicos de diferentes regiões. Entre os produtos de armazém estão café da Amazônia e baru do Cerrado. Já os itens da feira são fornecidos principalmente por uma cooperativa de São Paulo e por produtores de municípios do entorno, como Ibiúna e Sorocaba.
A iniciativa começou em 2018, quando pais de uma escola pública da região se organizaram para comprar alimentos saudáveis. Com o tempo, o instituto passou a reunir consumidores, agricultores familiares e assentados da reforma agrária.
O engenheiro aposentado Vanderlei Garcia está entre os frequentadores. Ele conta que passou a fazer compras semanais no local depois de encontrar preços que considerou razoáveis, especialmente no setor de hortifruti. A mulher dele é vegetariana, e a família consome principalmente produtos vegetais.
A produtora Lia Gois de Moura cultiva em Parelheiros, na zona sul de São Paulo, e compartilha práticas aprendidas com a mãe, de origem indígena. Entre os métodos citados estão o uso de caldas de arruda, alho e pimenta para afastar insetos, além do cultivo consorciado de coentro e couve. Lia também fez um curso pelo Instituto Biodinâmico (IBD).
Apoio à produção
Para Everton Bezerra de Oliveira, do Instituto Terra Viva, agricultores vêm mudando a forma de produzir e demonstrando maior interesse pelos orgânicos. Ele afirma que esse modelo envolve não apenas o alimento, mas também a preservação da qualidade da água e do solo e o uso menor de insumos.
O instituto pretende estreitar a cooperação com os fornecedores, inclusive com ações de formação e apoio logístico. Oliveira aponta a logística como um dos principais obstáculos para o pequeno agricultor e defende políticas públicas voltadas à produção orgânica e agroecológica.
“Quando a gente fala de política pública, a gente entende que o Estado precisa participar desse processo”, diz Oliveira. Para ele, a produção ainda não ocorre em escala suficiente e exige custos elevados para alcançar qualidade.
Novos usos para o espaço
O Baru recebe, em média, duzentas pessoas por dia. Juliana Mari Giovanardi, uma das fundadoras, afirma que o instituto quer se tornar também um polo cultural, com música, arte, dança, bem-estar, aulas de ioga e cinema.
O espaço já realizou uma sessão noturna de cinema e pretende retomar os saraus na primeira quarta-feira do mês, com microfone aberto. A intenção é ampliar a convivência com a comunidade do bairro sem deixar de fortalecer os vínculos com os produtores.







