GYIRONG — Inundações atingiram a cidade de Gyirong, na fronteira entre a Região Autônoma de Xizang, o Tibete, na China, e o Nepal, depois do deslizamento de uma geleira em território nepalês. Até agora, a China confirmou 43 mortos.
O colapso ocorreu a 5.200 metros de altitude. Ao alcançar Gyirong, localizada a 1.800 metros, a massa arrastou rochas, gelo e sedimentos. O impacto foi registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos como um evento sísmico de magnitude 5,2 graus na Escala Richter.
A hipótese apresentada é que o deslizamento tenha sido provocado pelo degelo da Cordilheira do Himalaia, processo associado à crise ambiental. Um estudo publicado em 2019 afirmou que um terço das geleiras do Himalaia pode derreter até 2100. O fenômeno pode afetar até 2 bilhões de pessoas. A cordilheira concentra a maior quantidade de gelo do planeta fora das regiões polares.
Debate sobre a cobertura
O episódio também levantou uma discussão sobre o que deve ser priorizado na cobertura jornalística de tragédias ambientais. A avaliação é que informações sobre mortos, desaparecidos, resgates e riscos devem ser apresentadas sem transformar a catástrofe em argumento para deslegitimar o governo chinês ou o sistema político do país.
O artigo assinado por Janelson Ferreira, integrante da coordenação nacional do MST, questiona críticas à divulgação de informações na China. Para o autor, há uma contradição entre apontar falta de imagens e, ao mesmo tempo, reconhecer a existência de atualizações sobre mortos, desaparecidos, operações de resgate e riscos relacionados a um lago de contenção.
Ferreira também contesta a cobrança pela divulgação de imagens de pessoas desaparecidas e de seus familiares. A chegada da inundação a Gyirong teria ocorrido entre cinco e sete minutos depois do deslizamento, intervalo que, segundo o artigo, dificultaria a gravação do momento da destruição.
O texto defende que a cobertura dê atenção às ações de resgate e às condições ambientais que contribuíram para o desastre, sem usar as vítimas como instrumento de disputa política. Também afirma que equipes de diferentes organizações de imprensa estiveram em Gyirong, fizeram imagens e entrevistas e não encontraram impedimento para registrar a situação no local.
O autor compara a repercussão do desastre com a cobertura de episódios ocorridos nos Estados Unidos, como o furacão Katrina, em 2005, e as revelações sobre o Programa Prism, em 2013. Na avaliação apresentada, esses casos não foram tratados como prova de inviabilidade do sistema político ou econômico estadunidense.
Ferreira sustenta ainda que a China tem contradições internas, mas que elas não devem ser equiparadas às causas de tragédias ambientais. O artigo menciona que, após a Revolução, o país tirou mais de 800 milhões de pessoas da pobreza e passou a defender, com outras nações do Sul Global, uma comunidade baseada na cooperação e no benefício mútuo.
Janelson Ferreira é integrante da coordenação nacional do MST. O conteúdo é apresentado como artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial da organização que o publicou.







