A inflação oficial brasileira registrou deflação de 0,32% em agosto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa para o mês desde agosto de 2022, quando o índice ficou em -0,36%. Em julho, o IPCA havia subido 0,07%; em agosto de 2025, o resultado foi de -0,11%.
A queda mensal levou o índice acumulado em 12 meses para 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho. O resultado também ficou inferior à projeção de -0,23% indicada pelo Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com agentes do mercado financeiro. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado é de 5%.
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o intervalo de tolerância vai de 1,5% a 4,5%. Desde o início de 2025, a avaliação considera os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado de dezembro. A meta é considerada descumprida quando o índice fica fora do intervalo por seis meses consecutivos.
Conta de luz teve maior influência
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro tiveram queda de preços. Habitação recuou 1,87%, com impacto de -0,29 ponto percentual, a maior deflação para o grupo em um mês desde o início do Plano Real, em 1994.
O principal motivo foi o bônus de Itaipu, crédito distribuído aos consumidores a partir do saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica estatal. Com o desconto, a conta de luz caiu, em média, 7,63%, registrando a menor variação para um mês de agosto em todo o período do Plano Real.
Fernando Gonçalves, analista da pesquisa, afirmou que o bônus é restrito a agosto e que a conta de luz terá essa devolução em setembro. “Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir”, disse.
Alimentos e transportes
O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,34%, com impacto de -0,07 ponto percentual. Foi a terceira redução seguida: a queda havia sido de 0,67% em julho e de 0,24% em junho. Batata-inglesa, cenoura, cebola, tomate, ovo de galinha e café moído tiveram as principais quedas, de 19,89%, 11,22%, 11,07%, 10,94%, 4,15% e 1,86%, respectivamente.
Os alimentos representam 21,5% da cesta mensal de consumo usada no IPCA. Em Transportes, a baixa foi de 0,86%. As passagens aéreas recuaram 13,17%, com impacto de -0,11 ponto percentual. Também caíram o etanol, 3,95%; o óleo diesel, 0,80%; e a gasolina, 0,59%. O gás veicular subiu 2,62%, enquanto o transporte por aplicativo recuou 4,57%.
Os demais grupos tiveram os seguintes resultados: Artigos de residência, 0,64%; Vestuário, 0,12%; Saúde e cuidados pessoais, 0,23%; Despesas pessoais, 1,30%; Educação, 0,47%; e Comunicação, -0,09%.
O índice de difusão ficou em 54%, indicando aumento de preços em 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados. Em julho, o indicador estava em 50%. O grupo de serviços subiu 0,03%, enquanto o de preços monitorados, que inclui a conta de luz e os combustíveis, caiu 1,26%.
O IPCA mede o custo de vida de famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Os preços são coletados em dez regiões metropolitanas — Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre —, além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.








