O Kremlin classificou como positiva a proposta de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia contra instalações de energia. Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo, afirmou nesta terça-feira (15) que a iniciativa apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma boa ideia. Apesar da proposta, ataques foram registrados dos dois lados durante a madrugada.
Peskov disse que a suspensão dos ataques a estruturas energéticas não seria suficiente para resolver a escassez global de combustível. Para ele, também seria necessário suspender as sanções impostas à Rússia. O porta-voz afirmou que a segurança da navegação para petroleiros e o levantamento das restrições são condições para alcançar estabilidade no setor.
“Vimos o anúncio do presidente Trump sobre um cessar-fogo energético”, declarou Peskov. Segundo ele, somente com o fim das sanções o mercado mundial poderia receber mais derivados de petróleo e registrar queda nos preços. O porta-voz também afirmou que a trégua permitiria manter as refinarias russas em operação sem ameaças, mas não resolveria a exportação dos produtos para os mercados globais.
Ataques foram relatados nos dois países
Peskov confirmou que as Forças Armadas da Ucrânia atingiram uma instalação energética em uma região russa, sem informar qual. Autoridades de Samara relataram danos em uma instalação industrial, mas não divulgaram detalhes. Em Rostov, o governador Yuri Slyusar informou que as defesas aéreas derrubaram mais de 30 drones e mísseis durante a madrugada.
Na Ucrânia, tropas russas atacaram Kiev e danificaram postos de gasolina. O prefeito Vitali Klitschko disse que as defesas aéreas estavam em operação durante a tarde e pediu que a população procurasse abrigo.
Em 2 de setembro, o presidente russo, Vladimir Putin, havia anunciado ordens para ataques massivos contra o setor energético ucraniano. Na segunda-feira (14), Trump declarou que Rússia e Ucrânia tinham decidido interromper os ataques mútuos a instalações de energia. Moscou e Kiev não confirmaram a informação.
Rússia diz estar aberta a negociações
Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que Moscou está pronta para retomar as negociações sobre o conflito na Ucrânia, caso a outra parte esteja disposta. Ele disse, porém, que as operações militares não seriam suspensas durante as conversas.
“Nunca nos recusamos a negociar”, declarou Lavrov. O ministro acrescentou que a Rússia mantém os objetivos anunciados no início da operação militar especial, incluindo garantir sua segurança, impedir a entrada da Otan em suas fronteiras e assegurar os direitos dos russos e de povos de língua russa que vivem na região.







