A reforma do Conselho de Segurança da ONU esteve entre os principais pontos defendidos pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Em discurso na sessão plenária da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ele apoiou a entrada do Brasil e da Índia no órgão e rejeitou a concessão de assentos permanentes à Alemanha e ao Japão, citando tendências militaristas.
Lavrov também defendeu a ampliação da representação da África, da Ásia e da América Latina por meio do Consenso de Ezulwini e da Declaração de Sirte. Para o ministro, a ONU deve funcionar como espaço de diálogo e cooperação, e não atender aos interesses de blocos ocidentais. Ele ainda apresentou o Brics como uma plataforma de iniciativas multilaterais e benefício mútuo.
Críticas à Europa e à Ucrânia
Durante a fala, o chanceler russo criticou o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, por declarações sobre fazer da Alemanha novamente a principal potência militar da Europa. Lavrov afirmou que uma nova remilitarização de Berlim teria consequências históricas graves.
Ele também acusou potências europeias de minimizar manifestações da ideologia neonazista no regime de Kiev e de esquecer o genocídio contra o povo soviético. O ministro condenou ainda a proibição legal da língua russa na Ucrânia e criticou o silêncio da União Europeia sobre o que classificou como violações da liberdade de expressão, de religião e de direitos protegidos pela Carta da ONU.
“Essa política de repressão linguística e cultural é inaceitável e deveria ser condenada pela comunidade internacional”, afirmou Lavrov.
Venezuela e outras posições
O representante russo descreveu o ataque dos Estados Unidos na Venezuela, em 3 de janeiro, e o sequestro do presidente Nicolás Maduro como ações que enfraquecem o direito internacional, a paz e a segurança mundiais. Ele exigiu o retorno imediato de Maduro ao país.
Lavrov também reafirmou o apoio de Moscou ao fim do bloqueio econômico contra Cuba, à interrupção do genocídio cometido pelas forças israelenses na Palestina e à resolução da situação provocada pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O ministro declarou que a Rússia continuará a luta para proteger a população de Donbas e Novorossiya até que as ameaças à segurança nacional russa sejam eliminadas e a paz seja restaurada. Ele ainda anunciou que o país sediará a Assembleia Mundial do Movimento Interpartidário Internacional pela Liberdade das Nações e destacou a defesa da autodeterminação dos povos.







