MOSCOU — O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscou responderia com todas as armas disponíveis caso Kaliningrado ou outro território russo sofresse um ataque direto. A declaração foi feita nesta quinta-feira (1º), durante a sessão plenária do 23º Clube Valdai de Discussão Internacional.
Kaliningrado é uma região russa situada entre a Polônia e a Lituânia, países integrantes da Otan, e não tem ligação territorial com o restante da Rússia. Putin associou o aumento das tensões a exercícios militares ocidentais no Mar Báltico, a tentativas de deter embarcações russas e a declarações sobre preparativos para um possível conflito com Moscou até 2029-2030.
A movimentação militar nas proximidades da região se intensificou nas últimas semanas. Em setembro, Lituânia, Letônia e Polônia realizaram exercícios em torno de Kaliningrado. O chanceler polonês, Radosław Sikorski, também defendeu exercícios da Otan “agressivos” na área, com o objetivo de pressionar a Rússia a deslocar forças do território.
Resposta às ameaças
Putin afirmou que as declarações de embaixadas russas e o documento enviado pelo Ministério das Relações Exteriores foram respostas a ameaças, e não tentativas de intimidação. Segundo ele, a carta sobre a defesa de Kaliningrado não menciona armas nucleares, mas o uso de todas as armas disponíveis.
“Não estamos tentando assustar ninguém”, disse o presidente russo. Ele acrescentou que a Rússia não pretende atacar nenhum país, mas que seria “forçada a responder” caso sofresse uma agressão.
O 23º Clube Valdai foi realizado em Moscou entre 28 de setembro e 1º de outubro. O fórum reuniu mais de 120 pessoas de 40 países, incluindo Estados Unidos, China, Índia e países europeus, para discutir temas da política internacional.
Durante o encontro, Putin também reiterou a justificativa de Moscou para o início da guerra na Ucrânia. Ele afirmou que a chamada “operação militar especial”, nome usado pelas autoridades russas, teria sido uma resposta à expansão militar da Otan e atribuiu a origem do conflito a um golpe de Estado ucraniano implementado por forças radicais do país.







