Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Lawfare, STF e soberania entram no centro de análise sobre André Mendonça

Cleide Martins relaciona a atuação do ministro a debates sobre juiz natural, Lava Jato, influência internacional e papel do Estado.

O lavajatismo do ministro André Mendonça

A atuação de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) foi usada como ponto de partida para uma análise sobre lawfare, soberania nacional e interferência política. A avaliação foi apresentada por Cleide Martins, advogada, pedagoga e diretora-executiva da Rede Lawfare Nunca Mais, em entrevista ao JTT.

Para Cleide, lawfare é o uso estratégico do Direito para alcançar objetivos políticos. O fenômeno, segundo ela, precisa ser analisado em conjunto com mídia, economia e política. Um dos pontos centrais seria definir quem tem competência para julgar, qual é o foro adequado e quem é o juiz natural de cada cidadão.

A discussão ganhou destaque após André Mendonça assumir a condução de um inquérito que envolve Fábio Luiz Lula da Silva. Cleide questionou a competência do ministro e afirmou que o direito a um julgamento justo e ao juiz natural deve valer para qualquer pessoa, sem relação com sua família ou posição política.

Da Lava Jato às disputas institucionais

A entrevistada relacionou o episódio à experiência da Operação Lava Jato. Na interpretação apresentada por ela, métodos associados à operação poderiam ter assumido novas formas. Cleide citou estudos acadêmicos sobre a atuação dos Estados Unidos durante a Lava Jato e uma pesquisa sobre a relação entre a cobertura da operação pela imprensa estadunidense e interesses geopolíticos norte-americanos.

Ela também mencionou o Projeto Pontes, realizado em 2009, como parte de sua argumentação sobre a aproximação entre instituições brasileiras e estadunidenses antes da Lava Jato. Segundo Cleide, o combate à corrupção teria sido instrumentalizado em uma estratégia política mais ampla, com efeitos sobre empresas, empregos e setores da economia brasileira.

Estado, redes internacionais e comunicação

Outro tema foi a trajetória política e ideológica de André Mendonça. Cleide citou a participação do ministro em atividades ligadas ao Acton Institute, organização estadunidense de orientação conservadora cristã. Na avaliação dela, essa formação estaria associada a uma concepção de Estado que defenderia a redução radical da presença estatal.

“Essa coisa da redução do Estado, da aniquilação do Estado, é a aniquilação da cidadania em si mesma”, afirmou Cleide. Ela relacionou o debate a áreas como saúde, educação, previdência e proteção trabalhista.

A advogada também falou sobre a presença dos Estados Unidos na política brasileira e latino-americana e citou a Atlas Network, à qual atribuiu a articulação de centenas de organizações em diferentes países. Mencionou ainda redes digitais, campanhas de desinformação e Fernando Cerimedo como elementos de disputas políticas contemporâneas.

Cleide citou Ucrânia, Honduras, Bolívia, Venezuela e Argentina como países que, em sua leitura, apresentam elementos semelhantes de desestabilização política e uso de instrumentos jurídicos, midiáticos e comunicacionais. As afirmações integram a interpretação política apresentada por ela durante a entrevista.

Propostas para enfrentar o lawfare

A Rede Lawfare Nunca Mais defende, segundo Cleide, a criação de mecanismos capazes de identificar e neutralizar práticas de lawfare. A organização também trabalha para incluir o tema em programas de governo e já teria apresentado essa discussão em processos eleitorais anteriores.

Para a entrevistada, a prevenção exige mecanismos institucionais que reconheçam padrões de uso indevido do sistema de Justiça antes que seus efeitos se consolidem. O debate, nessa perspectiva, envolve o papel do Judiciário em uma democracia, os limites institucionais e a definição de quem pode julgar, em qual foro e sob quais regras.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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