Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Migração, trabalho e os efeitos da xenofobia na vida social

Análise do Instituto Tricontinental relaciona a exploração do trabalho migrante à precarização e critica o uso de imigrantes como bodes expiatórios.

Migração, trabalho e os efeitos da xenofobia na vida social

Os migrantes internacionais representam 3,6% da população mundial, e a maior parte dos deslocamentos ocorre dentro dos próprios países ou entre nações vizinhas. Para o Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, esses dados ajudam a dimensionar a distância entre a realidade da migração e a retórica que a apresenta como uma ameaça generalizada.

A análise afirma que apenas um quarto dos migrantes e deslocados internos viaja do Sul Global para o Norte Global, conforme informação atribuída a um funcionário da Organização Internacional para as Migrações. O maior peso da proteção aos refugiados, segundo o instituto, recai sobre países mais pobres do Sul Global.

Como a linguagem amplia o conflito

O documento identifica três formas de distorção no debate: a escala da migração é exagerada, a cobertura concentra o problema em rotas específicas e o uso da expressão imigrante ilegal transforma diferentes grupos em suspeitos. Refugiados, requerentes de asilo, estudantes, familiares e trabalhadores temporários podem ser associados à ilegalidade mesmo quando essa não é a sua situação.

Na África do Sul, o instituto cita o crescimento de grupos anti-imigrantes como a Operação Dudula, em 2021, e a March and March, em 2024. Essas organizações passaram a usar o slogan Abahambe Makwerekwere, que significa estrangeiros devem ir embora, e direcionaram tensões sociais contra imigrantes vindos de Botsuana, Lesoto, Moçambique e Zimbábue.

A análise relaciona esse processo à percepção de que a piora das condições de vida da classe trabalhadora seria causada pela disputa por recursos com imigrantes. A avaliação do Instituto Tricontinental é que essa leitura desloca a atenção das estruturas do capitalismo e das políticas que enfraqueceram serviços públicos e proteção social.

Trabalho e exploração

Agricultura, construção, logística e trabalho de cuidado estão entre os setores do Norte Global que dependem da mão de obra imigrante. Ao mesmo tempo, regimes legais restritivos e a ameaça de deportação podem facilitar a exploração e dificultar o acesso a direitos e à negociação coletiva.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico afirma que imigrantes contribuem para os mercados de trabalho, as finanças públicas, o emprego e a criação de empregos, embora custos e benefícios sejam distribuídos de forma desigual. Um estudo do Fundo Monetário Internacional, realizado em 34 países da OCDE entre 1980 e 2018, concluiu que um fluxo de imigrantes equivalente a 1% do emprego total elevou a produção econômica em quase 1% ao longo de cinco anos. Dois terços desse aumento vieram da maior produtividade do trabalho. O estudo não encontrou evidências de redução do emprego dos nativos causada por grandes fluxos migratórios.

O problema trabalhista, segundo a análise, está no poder dos empregadores de dividir os trabalhadores com base no status legal. Sindicatos mais fortes poderiam enfrentar essas práticas, melhorar salários e condições de trabalho e ampliar direitos de residência e de negociação coletiva.

Austeridade e responsabilização

O Instituto Tricontinental argumenta que imigrantes chegam a sociedades já afetadas pela austeridade e pela dívida. Crise habitacional, desemprego crônico, transtornos mentais e abuso de drogas são apresentados como efeitos de políticas que priorizaram o lucro de poucos, incluindo privatizações e cortes nos orçamentos municipais.

A análise também rejeita a associação entre migração e problemas como guerras, sanções, dívida, mudanças climáticas, desapossamento de terras e destruição dos meios de subsistência. Para o instituto, esses processos estão ligados ao capitalismo e ao imperialismo, que também contribuem para a migração ao destruir condições de vida no Sul Global.

Na África do Sul, a desigualdade fundiária aparece como exemplo de um conflito estrutural que pode ser encoberto pela hostilidade a imigrantes. Sul-africanos brancos representam cerca de 7% da população e detêm 72% das terras agrícolas. Sul-africanos negros compõem quase 82% da população e possuem apenas 4% dessas terras.

O Instituto Tricontinental afirma que enfrentar a xenofobia exige organizar a classe trabalhadora contra a divisão promovida pelo status migratório. O Partido Comunista Sul-Africano é citado por manter uma posição contrária à xenofobia e favorável à solidariedade.

No poema “Nós, Refugiados”, de 2000, o poeta Benjamin Zephaniah resume a ideia de que nenhuma pessoa simplesmente surgiu em um lugar e que todos carregam histórias de deslocamento. A reflexão encerra a análise com uma crítica à noção de que imigrantes seriam estranhos sem vínculo com as sociedades onde vivem.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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