O niquim pode permanecer quase invisível em áreas rasas, com parte do corpo coberta pela areia e os olhos acompanhando o que acontece ao redor. A camuflagem ajuda o peixe a esperar uma presa, mas também aumenta a chance de contato acidental com pescadores e banhistas.
Espécies do gênero Thalassophryne, encontradas em águas brasileiras, têm espinhos ligados a glândulas de veneno. Os acidentes geralmente acontecem quando alguém pisa no animal ou tenta segurá-lo, e não porque ele persegue pessoas.
Uma caça baseada na espera
O corpo achatado e a posição dos olhos permitem que o niquim fique apoiado ou parcialmente enterrado em fundos de areia e lodo. Estuários, manguezais e outros locais rasos, com mudanças na visibilidade causadas por sedimentos e maré, favorecem esse comportamento.
Em vez de seguir a presa por uma distância longa, o peixe aguarda a aproximação de peixes e pequenos crustáceos. Quando o alvo entra no alcance, ele faz uma arrancada curta e usa a boca ampla para criar uma sucção rápida. O ataque depende de poucos movimentos e ocorre antes que a presa consiga mudar de direção.
De cima, o animal pode ser confundido com uma pedra, uma folha ou uma irregularidade do fundo. A imobilidade, portanto, não indica falta de atividade: o niquim escolhe o local de espera, acompanha sinais próximos e concentra a força no instante da captura.
Defesa que exige cuidado
O perigo para as pessoas está nas estruturas pontiagudas do peixe. Elas podem liberar veneno quando sofrem pressão ou são manuseadas. O contato pode provocar dor intensa, inchaço e lesão no local, especialmente quando alguém caminha descalço em água turva ou tenta retirar o animal de uma rede ou de um anzol.
Luvas improvisadas e toalhas não garantem proteção contra os espinhos. Na pesca, é necessário usar equipamento adequado e seguir as orientações locais. Para reduzir o risco, banhistas devem evitar andar descalços em áreas conhecidas pela presença do niquim.
Em caso de ferroada, a orientação é sair da água, evitar apoiar o membro ferido e procurar atendimento médico. Não se deve cortar o local, sugar o veneno ou tentar retirar estruturas profundas sem avaliação. Água quente pode ser usada em alguns acidentes com peixes peçonhentos, desde que haja orientação e cuidado para evitar queimaduras; a medida não substitui o exame, o controle da dor, a limpeza e a avaliação de possíveis complicações.
Caça e defesa têm funções diferentes
A sucção serve para capturar alimento. Já os espinhos associados ao veneno atuam principalmente como defesa quando o peixe é comprimido ou quando alguém tenta engoli-lo. O niquim não dispara veneno durante a emboscada: ele captura a presa com posicionamento e velocidade curta e se protege por meio das estruturas que podem ferir no contato.
A camuflagem também explica por que um fundo aparentemente vazio merece atenção. Fotografar o animal de longe pode ajudar na identificação, mas apertá-lo, levá-lo na mão ou continuar pescando apesar da dor aumenta o risco. Sinais de infecção, mudança de cor ou piora devem ser avaliados novamente por um serviço de saúde.







