Uma área da Lua ficou cerca de 9 °C mais fria durante a noite após o impacto que abriu a cratera McGetchin. A alteração foi observada em uma faixa de aproximadamente 7 quilômetros ao redor da estrutura, onde o regolito se tornou mais solto e menos denso.
A cratera foi identificada pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), da NASA, depois que o cientista Robert Wagner comparou imagens da superfície lunar registradas em anos diferentes. O impacto ocorreu entre abril e maio de 2024 e é considerado o maior desse tipo conhecido em tempos recentes.
Marcas espalhadas pela superfície
Com 222 metros de largura e 43 metros de profundidade, a cratera tem dimensão aproximada à do Coliseu. A profundidade seria suficiente para acomodar três ônibus escolares empilhados. O corpo que atingiu a Lua tinha tamanho estimado entre um prédio de três e seis andares.
A colisão também lançou poeira e rochas por mais de 100 quilômetros. O material espalhado deixou o solo lunar mais solto, o que reduziu sua capacidade de reter calor durante a noite. As mudanças podem ter efeitos sobre a circulação de veículos lunares.
David Paige, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, comparou o processo ao cultivo do solo. “Agora estamos pensando nos impactos como uma forma de cultivar o regolito — revolvendo os sedimentos e colocando na superfície material que normalmente fica abaixo dela”, explicou.
Imagens revelaram a cratera
A descoberta ocorreu durante uma checagem de rotina. Um programa de computador apontou diferenças entre os mapas, mas também gerou falsos alarmes associados à iluminação e às sombras. Wagner percebeu uma área clara cercada por uma região escura e decidiu investigar.
“Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto”, relatou. Imagens posteriores feitas por uma câmera de alta resolução confirmaram a cratera, permitiram medir suas dimensões e ajudaram a analisar os efeitos do impacto.
Dados para futuras missões
Desde 2009, o LRO identificou pelo menos mil novas crateras e cerca de 100 mil alterações na superfície lunar ligadas a impactos e aos detritos lançados por eles.
Os dados indicam ainda que os 2 centímetros superiores do solo lunar são revolvidos a cada 80 mil anos, em ritmo maior que o estimado anteriormente. Os pesquisadores também querem calcular o risco de materiais lançados por novos impactos atingirem uma eventual base lunar. A informação poderá orientar o projeto de estruturas mais resistentes a essas colisões.







