PORTO ALEGRE — A segunda edição de “Estética e Raça – Ensaios sobre a literatura negra”, de Luiz Mauricio Azevedo, será lançada neste sábado (3), às 17h, na Livraria Baleia. O evento terá uma conversa entre o autor e o professor Luís Augusto Fischer, com entrada gratuita.
Publicado pela Editora Coragem, o livro reúne 16 ensaios críticos sobre as literaturas afro-brasileira e afro-americana e sobre os efeitos do racismo estrutural na cultura. O conteúdo original foi mantido, enquanto a nova edição ganhou projeto gráfico de Cintia Belloc e posfácio do escritor Marcelo Cortes.
Uma revisão das expectativas
Azevedo afirma que a reedição permite reconsiderar as expectativas criadas durante a pandemia e após o movimento Black Lives Matter. Naquele momento, parte das pessoas progressistas esperava que as dores provocadas pela crise e os impactos do movimento levassem a uma solução para o racismo.
Agora, segundo o autor, o debate pode avançar para além da presença do racismo nas obras. “Hoje a gente já pode falar de racismo nos leitores. Estamos mais maduros para encarar o tema.”
Azevedo também sustenta que a literatura participou historicamente da reprodução de estruturas racistas. Ele menciona a invisibilização da produção cultural ligada à supremacia branca e afirma que a literatura voltada à infância integra esse processo.
Pontes entre diferentes tradições
O livro aborda ainda as relações entre a produção literária negra brasileira e a dos Estados Unidos. Para o autor, aproximar essas experiências ajuda a compreender diferentes dimensões da luta antirracista e a reconhecer que as populações negras dos dois países têm experiências que dialogam.
Entre as referências citadas por Azevedo estão Toni Morrison, Conceição Evaristo, James Baldwin e Oswaldo de Camargo. Ele defende a troca entre as experiências da diáspora e rejeita a ideia de que a literatura produzida nos Estados Unidos deva ser afastada por causa das tensões históricas entre os países.
O papel da crítica
Ao tratar da crítica literária, Azevedo questiona avaliações que associem qualidade à raça de quem escreve. Para ele, existem bons e maus escritores negros e brancos, e uma das funções da crítica é fazer com que essa constatação deixe de ser vista como polêmica.
Os editores avaliam que a nova edição mantém atuais os debates propostos no livro. O historiador e editor de livros Fernando Baldraia também destaca a experiência de leitura oferecida pela obra e o repertório, a inteligência e o humor presentes no trabalho de Azevedo.







