Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Vorcaro repassou mais US$ 1,6 milhão ao filme Dark Horse após cobrança de Flávio

Novo pagamento ocorreu em setembro de 2025, depois que Flávio Bolsonaro cobrou parcelas atrasadas da produção.

Vorcaro fez mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças de Flávio Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam atrasadas.

A transferência veio a público nesta terça-feira (1º), em uma apuração jornalística, e foi confirmada. O repasse se soma a outros seis — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — feitos até maio de 2025. Esses pagamentos já tinham sido divulgados em maio deste ano e, juntos, somavam R$ 61 milhões.

Com o novo valor, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares. Na cotação daquele período, a quantia correspondia a mais de 65 milhões de reais.

A informação consta em um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) sobre o caso. O novo pagamento foi localizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio vinha dizendo que o último repasse de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025, versão que agora é contrariada pelas informações da PF. Ao comentar o caso em uma entrevista, o senador afirmou que o último pagamento feito pelo ex-banqueiro tinha sido naquele mês.

Conforme as apurações, os repasses destinados ao filme foram realizados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa pertencente a um aliado do ex-banqueiro. A Entre enviava os recursos ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, que era controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Depois, o fundo repassaria o dinheiro para a produtora Go Up.

Em uma mensagem de áudio, Flávio explicou a Vorcaro que preferia enviar a mensagem para que ele a ouvisse com calma. Disse também que sabia que o ex-banqueiro atravessava um momento muito difícil, diante de toda a confusão, e que se sentia sem graça em continuar cobrando, apesar de Daniel ter dado liberdade para isso.

A transferência de setembro ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas atrasadas. Pelo acordo original, esses pagamentos poderiam chegar a R$ 134 milhões.

Valor pode ser maior

O total destinado por Vorcaro ao filme Dark Horse pode ser ainda maior. Foi localizado um trecho inédito de uma troca de mensagens entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para a produção.

Em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou a Vorcaro se ele conseguiria liberar as parcelas do filme. O ex-banqueiro respondeu: "Sim. Liberei mais uma hoje". Na sequência, Miranda disse que avisaria os responsáveis e que Flávio havia informado que ligaria para Vorcaro.

A PF afirma que não há outros repasses no informativo financeiro do Coaf. Isso, porém, não elimina a possibilidade de a transferência ter sido feita em 22 de outubro e ainda não ter sido comunicada ao órgão de fiscalização.

Caso esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares tenha realmente sido realizado, como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele chegaria a 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais.

Na chegada ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado por jornalistas sobre o novo repasse. O senador respondeu: "Bom, essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa. Esse assunto eu não tenho como aprofundar. Tem que perguntar para a produtora."

O financiamento do filme sobre Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, examina os repasses feitos por Vorcaro: as circunstâncias, a origem dos recursos, o valor exato e o destino final do dinheiro. Os investigadores suspeitam que uma parte da quantia não tenha sido empregada no filme.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura se a produtora Go Up utilizou emendas parlamentares para financiar a produção.

Também existe uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros da periferia. O acordo não foi cumprido integralmente, e há suspeitas de que parte dos valores tenha sido desviada.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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