Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

Paraná conclui formação comunitária para resposta a desastres climáticos

Mais de 50 militantes participaram do curso criado por MST, Fiocruz e Força Nacional do SUS para prevenção e resposta a emergências.

Paraná conclui formação comunitária para resposta a desastres climáticos

Formação prepara brigadistas no Paraná

A primeira turma do Curso Brasileiro de Brigadas Populares para Enfrentamento de Catástrofes – Maria Natividade foi formada nessa quarta-feira (30), no Paraná. Mais de 50 militantes de territórios da reforma agrária participaram da formação, considerada inédita no Brasil.

A iniciativa reúne o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Força Nacional do SUS. O curso começou em maio deste ano, com encontros presenciais e atividades virtuais, e foi organizado em sete módulos, encerrados com um simulado de avaliação.

As atividades presenciais e a cerimônia de entrega dos certificados ocorreram em Laranjeiras do Sul (PR), na associação comunitária do Assentamento 8 de Junho. O espaço também foi usado como base da Brigada de Solidariedade do MST entre novembro e dezembro, durante o apoio a famílias afetadas por eventos extremos.

Resposta local a emergências

A formação busca preparar moradores para atuar na prevenção de desastres, na resposta a emergências e na reconstrução de comunidades atingidas por situações como enchentes e tornados. Entre os conteúdos estão primeiros socorros, comunicação de risco, identificação de vulnerabilidades, sistemas locais de alerta, saúde pública comunitária, vigilância territorial, agroecologia e adaptação climática.

Djair Soares, coordenador do Núcleo de Educação Permanente da Força Nacional do SUS, afirmou que a proposta considera que os impactos de um desastre começam no próprio território. Para ele, fortalecer as capacidades locais ajuda a promover a resiliência comunitária até a chegada da autoridade pública.

A metodologia combina conhecimentos produzidos nos territórios pelo movimento popular com protocolos técnicos usados pela Força Nacional do SUS. A formação também utiliza a Plataforma Picaps, desenvolvida pela Fiocruz Brasília, e articula educação popular em saúde, defesa civil comunitária, agroecologia e vigilância territorial.

Maria Izabel Grein, integrante da coordenação do setor de Saúde do MST no Paraná e organizadora do curso, defendeu a reprodução da iniciativa. “O grande objetivo dessas brigadas é cuidar da vida, salvar vidas, diminuir o sofrimento e ajudar as pessoas”, afirmou.

Experiência após tornado

A criação do curso foi inspirada na Brigada de Solidariedade formada pelo MST após as fortes tempestades e os eventos extremos que atingiram o estado em novembro de 2025. Um tornado passou por Rio Bonito do Iguaçu (PR), deixando 7 pessoas mortas e milhares de feridos na região Centro-sul do estado.

Segundo Wagner Martins, professor de Estratégias de Gestão e Governança Territorial da Escola de Governo da Fiocruz, a experiência da equipe de saúde do MST na reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu ajudou a orientar a formação. O curso também promoveu uma reflexão sobre pontos críticos do Paraná.

O nome da turma homenageia Maria Natividade de Lima, integrante do Setor de Saúde do MST que morreu em junho deste ano. Conhecida como Dona Maria, ela participava de ações de solidariedade, inclusive do apoio às famílias atingidas pelos tornados em Rio Bonito do Iguaçu. Produtora agroecológica e moradora do assentamento Contestado, na Lapa (PR), ela também fazia parte da turma de brigadistas.

Plano para o El Niño

A Fiocruz lançou ainda o primeiro Plano Popular Territorial para Enfrentamento dos Efeitos do El Niño no Paraná. A intenção é levar a iniciativa a outros estados do país.

O chamado “super” El Niño está previsto para o período entre junho de 2026 e abril de 2027. Dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (SIMEPAR) indicam que a primavera, até dezembro, terá maiores índices de tempestades e eventos climáticos severos no estado.

A formação também prevê a criação de redes territoriais de brigadas articuladas aos serviços públicos. A proposta é ampliar a capacidade de autoproteção, organizar a resposta comunitária e apoiar o atendimento às necessidades humanitárias durante emergências climáticas.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5