A previsão de mais tempestades e eventos meteorológicos severos no Paraná durante a primavera amplia a necessidade de planejamento preventivo nos municípios. O Simepar relaciona o cenário aos efeitos do El Niño e estima maior frequência desses episódios entre 22/09/2026 e 21/12/2026.
Os volumes de chuva mais elevados são esperados em novembro nas regiões Sudoeste, Centro-Sul e Oeste. Nesta última, a previsão de chuvas intensas deve se estender até dezembro. As informações aparecem em uma análise assinada por pesquisadores ligados ao Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá.
Ocorrências recentes
Em setembro de 2026, o Simepar confirmou tornados em Francisco Alves e Espigão Alto do Iguaçu, entre os dias 9 e 10, além de um registro em Goioerê, no dia 11.
Fortes chuvas também provocaram alagamentos e inundações em municípios do Norte do estado. Em Maringá, houve ocorrências nas proximidades das avenidas Colombo, Horácio Racanello, João Paulino e Laguna, perto do Parque do Ingá. Sarandi registrou problemas no bairro Jardim Novo Independência.
Na região Sudeste, Rio Negro teve mais de 120 pessoas desalojadas. Curitiba registrou quedas de árvores e alagamentos no início de setembro.
Planejamento integrado
A avaliação dos riscos precisa levar em conta as condições locais de exposição e vulnerabilidade da população. Para os pesquisadores, os municípios devem elaborar e colocar em prática Planos de Adaptação Climática, com medidas para diminuir riscos sociais e estruturais diante de eventos extremos.
A adaptação, segundo a análise, exige articulação entre municípios, estado e União, além da participação social nas decisões. Também depende da conexão entre áreas do planejamento urbano, como habitação, mobilidade, saneamento e drenagem.
As políticas devem priorizar populações historicamente vulnerabilizadas e adotar critérios equitativos. A adaptação reduz a exposição e a vulnerabilidade, enquanto a mitigação busca diminuir as emissões de gases de efeito estufa.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU aponta que a América do Sul está altamente exposta aos efeitos das mudanças climáticas. Entre os impactos citados estão o aumento das temperaturas médias, períodos de seca mais longos e chuvas mais intensas.
O artigo é assinado por Antonio Rafael Marchezan Ferreira, Gabriel Barros Cunha, Mateus Raniero Zampar e Wilian D’Agostini Ayres. Ferreira é professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e coordenador do Observatório das Metrópoles, Núcleo Maringá. Os demais são estudante, arquiteto e urbanista e doutorando, respectivamente, além de bolsistas e pesquisadores do núcleo.







