Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

Movimentos de mulheres apresentam agenda para eleições do DF em 2026

Plataforma reúne propostas sobre cuidado, renda, moradia, combate à violência e participação feminina nas decisões públicas.

Movimentos de mulheres apresentam agenda para eleições do DF em 2026

Movimentos de mulheres do Distrito Federal e Entorno lançaram uma plataforma com propostas para as eleições de 2026. A agenda é dirigida às candidaturas ao Governo do Distrito Federal, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Câmara Legislativa (CLDF).

Apresentada na quarta-feira (2), a Plataforma Feminista DF e Entorno 2026 organiza as reivindicações em cinco eixos baseados no conceito de Bem Viver. A proposta é colocar a sustentação da vida no centro das políticas públicas e considerar os efeitos de gênero, raça, classe e território nas desigualdades enfrentadas pelas mulheres.

Para Jolúzia Batista, da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), a presença feminina nas instituições não garante, sozinha, mudanças nas estruturas sociais. “Não basta ser mulher”, afirmou. A plataforma defende alterações no financiamento público e no orçamento.

Cuidado, trabalho e autonomia

O eixo “Bem viver é cuidado” reúne 12 propostas e sustenta que as tarefas necessárias à manutenção da vida não devem ficar concentradas nas mulheres. Entre as medidas estão a implementação da Política Distrital do Cuidado e a criação de uma rede pública territorializada envolvendo saúde, educação, assistência social, habitação, transporte, cultura, esporte, segurança alimentar e urbanismo.

A agenda também prevê o fim da escala 6×1, a redução progressiva da jornada semanal, a ampliação das licenças parentais e afastamentos para o cuidado de filhos e familiares.

Com 18 propostas, o eixo “Bem viver é autonomia” trata de trabalho, renda e independência econômica. O documento defende igualdade salarial, combate à precarização, formação profissional gratuita e inclusão produtiva para mulheres historicamente excluídas do mercado formal. Também propõe ampliar o crédito por meio de bancos públicos, incluindo o Banco de Brasília (BRB), com metas anuais para microcrédito e financiamento de pequenos negócios liderados por mulheres.

Moradia, mobilidade e prevenção da violência

O eixo “Bem viver é colocar pessoas e natureza no centro” tem 17 propostas sobre moradia, mobilidade, saneamento, direito à cidade e crise climática. Entre as medidas estão a descentralização de investimentos para áreas periféricas, moradia digna e bem localizada, programas habitacionais, aluguel social e universalização do saneamento.

A plataforma ainda propõe preparar as regiões administrativas para enchentes, incêndios, ondas de calor, seca e outros eventos extremos. O documento defende acesso universal à água, coleta e tratamento de esgoto, drenagem urbana e prevenção de enchentes, com prioridade para comunidades vulneráveis.

No eixo “Bem viver é viver livre de violências”, as organizações defendem uma política permanente de prevenção que una educação, saúde, assistência social, segurança pública, cultura, esporte e participação comunitária. A agenda inclui a ampliação de delegacias especializadas, Casas da Mulher Brasileira e casas-abrigo, além de ações para homens e meninos voltadas à construção de masculinidades não violentas.

Também está previsto o acesso integral e gratuito às políticas de saúde sexual e reprodutiva no Sistema Único de Saúde (SUS), com respeito à autonomia das mulheres.

Participação política e acompanhamento dos mandatos

O quinto eixo, “Bem viver é compartilhar poder”, reúne 14 propostas. Entre elas estão paridade e representação interseccional de mulheres em governos, administrações regionais, conselhos, conferências e outras instâncias de decisão. O documento também pede ações afirmativas, cotas para mulheres negras e outros grupos sub-representados e medidas contra a violência política.

A presença de candidaturas na construção da agenda não resultou em uma carta-compromisso. Segundo Rita Andrade, uma das organizadoras, a escolha considerou que assinaturas no período eleitoral nem sempre se convertem em ações após as urnas. No lugar disso, a organização adotou um selo de apoio e participação e pretende procurar as pessoas eleitas para apresentar as propostas e cobrar sua adoção.

“Posteriormente, nós, com os candidatos que forem eleitos, eleitas e eleites, pretendemos ter uma ação mais específica”, explicou Rita.

A plataforma também propõe um Pacto em Defesa das Políticas Sociais no Distrito Federal. O objetivo é garantir recursos, investimentos e continuidade aos programas públicos, além de impedir que crises financeiras sejam usadas para retirar direitos. Em documento assinado por Jolúzia Batista e Rita Andrade, as organizadoras afirmam: “Defender o orçamento público é defender direitos.”

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5