O isolamento transformou uma população de porcos deixada nas Ilhas Auckland em 1807. Retirados da ilha principal em 1999, 17 animais apresentavam corpos mais magros e musculosos, além de características reprodutivas diferentes das observadas em porcos comerciais.
As Ilhas Auckland formam um arquipélago subantártico localizado a cerca de 560 quilômetros ao sul da Ilha Sul da Nova Zelândia. O capitão Abraham Bristow introduziu os primeiros animais com a intenção de criar uma reserva de alimento para marinheiros, caçadores de focas e possíveis náufragos. Outras liberações ocorreram nas décadas seguintes, com pelo menos três episódios registrados no início e em meados do século XIX.
Uma população moldada pelo ambiente
Sem abrigo, alimentação fornecida por humanos ou criação controlada, os porcos precisaram encontrar comida, enfrentar baixas temperaturas e se reproduzir em terreno difícil. Durante aproximadamente 192 anos, permaneceram praticamente separados de outras populações da espécie.
A adaptação incluiu um corpo mais musculoso e menos pesado, associado à procura constante por alimento e ao deslocamento pelo arquipélago. As fêmeas também tinham menor número de mamas funcionais, uma característica relacionada às dificuldades de sustentar grandes ninhadas naquele ambiente.
Retirada antes da eliminação
Embora tivessem interesse biológico, os animais provocavam danos à vegetação e à fauna locais. Eles revolviam o solo, consumiam plantas nativas e atacavam ninhos de aves marinhas que se reproduzem no chão, como petréis e albatrozes.
Diante disso, foi planejada a eliminação da população introduzida para permitir a recuperação do ecossistema. Antes dessa medida, a Rare Breeds Conservation Society of New Zealand retirou 17 exemplares da ilha principal em 1999, preservando aquela linhagem.
DNA e pesquisas sobre saúde
Pesquisadores analisaram o DNA mitocondrial de alguns porcos resgatados. As cinco amostras estudadas tinham a mesma sequência em uma região de 394 pares de bases e eram mais próximas de raças europeias, indicando provável origem europeia.
Em condições controladas, os animais também apresentaram baixa incidência de várias infecções comuns em populações comerciais. O isolamento havia reduzido o contato com agentes infecciosos encontrados em criações e populações selvagens de outras regiões.
Descendentes dos porcos passaram a ser mantidos na Nova Zelândia continental. Entre os interesses científicos está o xenotransplante, que pesquisa o uso de células, tecidos ou órgãos de uma espécie em outra. As células das ilhotas pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina, foram investigadas em estudos ligados ao diabetes tipo 1.
A mesma história reúne adaptação e impacto ambiental: enquanto os porcos se ajustaram à vida selvagem, a espécie introduzida alterou a vegetação e a reprodução de animais nativos nas Ilhas Auckland.







