HAVANA — Uma produtora de alimentos da província de Cienfuegos questionou, durante a estreia do programa Criterio Compartido, a distância entre as decisões nacionais e sua aplicação nos territórios cubanos. Ela afirmou que aguardava havia mais de dez anos a concessão de uma terra não cultivada para produzir alimentos para a comunidade.
O terreno, segundo o relato transmitido pela rádio, continuava sem uso e cheio de lixo. A produtora disse que o Ministério da Agricultura havia investigado o caso e decidido a favor da solicitação, mas a terra ainda não tinha sido entregue por causa de problemas burocráticos em nível municipal. Ela citou a Delegação Municipal de Arroyo Naranjo como responsável pela demora.
Díaz-Canel reconheceu o problema e afirmou que a produtora receberia uma resposta. Também defendeu o reforço do controle sobre a execução das decisões nos municípios. “Você terá uma resposta sobre a sua terra”, disse o presidente.
Reclamações no primeiro programa
Transmitido ao vivo pela emissora nacional Radio Rebelde, o programa é apresentado por Díaz-Canel e pela jornalista Bárbara Betancourt. A atração será exibida a cada duas semanas, às quartas-feiras, com participação de ouvintes de diferentes territórios. Eles podem enviar perguntas, opiniões e reclamações.
Na primeira edição, uma aposentada relatou que a pensão não era suficiente para viver. Um trabalhador falou sobre a alta inflação. O debate foi concentrado nas transformações econômicas e sociais em andamento e nas dificuldades para aplicar as novas medidas.
Criterio Compartido foi apresentado sob o slogan “Cada voz em Cuba importa”. A atração é o segundo espaço de comunicação periódica de Díaz-Canel com a população. O primeiro foi o podcast Desde la Presidencia, lançado no início de 2024 e encerrado em meados de 2025, depois de 32 episódios.
Diferentemente do podcast, o novo programa utiliza o rádio, apontado como um meio de amplo alcance nos lares cubanos. A transmissão ocorre em um cenário de conexão à internet instável e cara e de cortes de energia que afetam boa parte do país.
Mudanças econômicas
Durante a estreia, Díaz-Canel também falou sobre as 176 transformações econômicas implementadas em Cuba. Ele defendeu a participação popular e o controle da população no processo e afirmou que a presença de iniciativa privada, mercado e investimento estrangeiro não retiraria do povo, por meio de suas instituições, o comando do país.
O presidente rejeitou a ideia de que as mudanças representem uma guinada ao capitalismo. Segundo ele, trata-se da atualização do modelo econômico e social em uma construção socialista, diante da crise e do que o governo cubano descreve como uma guerra econômica mantida pelos Estados Unidos contra Cuba.






