SÃO PAULO — Celebrado nesta sexta-feira (25), o Dia Nacional do Rádio lembra o nascimento de Edgar Roquette-Pinto (1884-1954), médico, professor e ensaísta considerado o pai da radiodifusão no Brasil. Mais de um século depois das primeiras transmissões no país, o meio segue presente na comunicação de massas, na informação e na prestação de serviços.
A data foi instituída pela Lei 15.101 de 2025. A homenagem também remete à criação da primeira emissora oficial do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, atual Rádio MEC, em 1923, e à primeira transmissão radiofônica nacional, realizada durante o Centenário da Independência, em 1922.
Alcance e comunicação direta
Para o supervisor de uma emissora de rádio, Lucas Salum, a força do veículo está na transmissão ao vivo, gratuita e acessível, em contraste com o consumo individual de arquivos gravados em podcasts. “O rádio é consolidado como um meio vivo, gratuito e democrático de acesso à música e à informação ao vivo”, afirmou em entrevista.
Na Grande São Paulo, a emissora opera na frequência 98.9 FM, com público potencial de 20 milhões de pessoas. A programação também é transmitida pela internet para todo o país e distribuída a mais de 500 emissoras parceiras por meio de uma agência de notícias radiofônicas.
A coordenadora de jornalismo Monyse Ravena afirma que a frequência modulada amplia o contato com trabalhadores que ouvem rádio durante os deslocamentos, incluindo motoristas de aplicativo e pessoas que percorrem grandes distâncias até o trabalho.
Rotina de produção e serviço
A programação ao vivo começa nas primeiras horas do dia com o jornal É de Manhã, transmitido das 7h às 8h. O apresentador Afonso Bezerra conta que inicia a jornada às 5h, em seu home studio, acompanhando o trabalho da equipe que atuou durante a noite, lendo jornais e fazendo exercícios vocais.
A faixa matinal combina análise política com informações úteis para o cotidiano, como boletins sobre trânsito, metrô e condições do tempo. “O nosso objetivo é ter utilidade na vida da classe trabalhadora”, disse Bezerra.
Na produção do jornal Conexão BdF, exibido ao meio-dia e às 17h, Yasmin Marchiori explica que a equipe precisa reorganizar o programa quando acontecimentos urgentes surgem pouco antes da transmissão. Em dias com menos notícias, os profissionais recorrem a pautas preparadas previamente para aprofundar as análises.
O desafio do áudio ao vivo
Os jornalistas Lucas Krupacz e Larissa Bohrer, que comandam a bancada do programa, destacam a necessidade de descrever cenários e imagens para quem acompanha apenas pelo som. A transmissão simultânea no rádio e na internet exige atenção à clareza da linguagem e rapidez para lidar com imprevistos.
Krupacz cita a cobertura ao vivo do julgamento no Supremo Tribunal Federal que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado como um dos momentos marcantes da emissora. Bohrer afirma que, em dias sem fatos extraordinários, a equipe usa efemérides para criar conexões com temas políticos e assuntos de interesse do público.







