A origem dos ruídos foi confirmada quando o brinquedo encontrado no sofá reproduziu a mesma combinação de arranhão, vibração e voz distorcida. O teste foi feito depois que o estofador retirou o objeto e pressionou o assento, sem que nenhum som aparecesse. Em seguida, Renato movimentou o carrinho sobre a mesa, e a resposta surgiu novamente.
O objeto era um carrinho eletrônico infantil que havia entrado pela lateral do móvel durante uma visita do sobrinho. Ele deslizou entre o assento e o braço do sofá, caiu sobre o forro interno e permaneceu preso havia oito meses. Com o uso, acabou empurrado para uma dobra, sem rasgar o tecido.
O que acionava a gravação
O brinquedo tinha sensor de movimento. Quando alguém se levantava, a espuma e a madeira continuavam se acomodando por alguns segundos. A vibração chegava ao sensor e iniciava a gravação. Como a bateria estava fraca, o circuito falhava e produzia estalos separados, enquanto a voz gravada era interrompida antes de qualquer palavra reconhecível.
O som áspero lembrava unhas passando pelo tecido. Como os episódios ocorriam depois da meia-noite, quando a sala ficava vazia, Lívia associou o ruído à possível presença de roedores. O casal retirou as almofadas, examinou a parte inferior do móvel e procurou uma entrada, mas não encontrou abertura visível.
Na terceira noite, os dois evitaram sentar no sofá e dormiram com a porta fechada. O barulho voltou, acompanhado por uma vibração curta. Para avaliar o que acontecia, passaram a anotar horários e detalhes, além de fotografar, repetir testes e comparar as diferenças entre os episódios.
Repetição ajudou a confirmar a causa
A explicação para o som parar quando a luz era acesa estava no movimento do casal: ao interromper a atividade no piso e no sofá, eles também deixavam de provocar a vibração que alcançava o sensor. A sequência não era sempre idêntica, mas a repetição de arranhão, vibração e gravação distorcida indicou uma condição concreta.
Depois da retirada do carrinho, o estofador fechou o forro. O tecido recebeu uma costura reforçada, e as frestas foram examinadas antes de as almofadas voltarem ao lugar. Naquela noite, Lívia e Renato sentaram no móvel pela primeira vez em quatro dias.
Renato removeu as pilhas, sem vazamento visível, e separou o material para descarte em ponto de coleta. O brinquedo foi limpo e devolvido ao sobrinho sem a função sonora. A sala voltou a ser usada, mas a família preservou um registro da descoberta e passou a observar os primeiros sinais com mais atenção.







