O Partido Socialista da Zâmbia recebeu votos em todas as dez províncias do país na eleição de 13 de agosto. O candidato da legenda, o jornalista Fred M’membe, obteve 12.094 votos, em um resultado comemorado pelo partido como avanço depois de anos de processos e tentativas de criminalização.
A votação foi mais distribuída do que em 2021, quando a sigla havia concentrado seu desempenho em poucos redutos. Desta vez, também alcançou eleitores no norte da Zâmbia, região de perfil eleitoral conservador.
M’membe chegou ao pleito depois de uma sequência de episódios judiciais. Em março deste ano, foi preso com base na Lei de Crimes Cibernéticos, sancionada em 2025, por declarações feitas em uma entrevista de rádio. Em 2023, havia sido detido sob acusação de espionagem por causa de uma entrevista concedida a um documentário sobre as eleições no Zimbábue. No ano anterior, denunciou um plano das forças de segurança para sequestrá-lo.
A candidatura foi confirmada em 18 de junho, quando a Corte Constitucional rejeitou uma petição contra M’membe e sua companheira de chapa, Dolika Banda. A ação alegava que Banda não possuía o certificado de ensino médio exigido pela Constituição. O tribunal avaliou que os autores não apresentaram provas suficientes.
Temas e resultado da eleição
A plataforma socialista destacou pobreza, desemprego, educação, agricultura e soberania econômica. Para a legenda, a candidatura ajudou a fortalecer a militância, aproximar trabalhadores e colocar esses temas no debate político, mesmo com poucas chances de vitória.
O desempenho ocorreu em meio à abstenção de 57,23%, uma queda de 13,38% em relação a 2021. Entre os 8,7 milhões de eleitores registrados, cerca de 3,7 milhões não votaram.
A Comissão Eleitoral confirmou a reeleição de Hakainde Hichilema, da UPND, com 60,49% dos votos válidos. Brian Mundubile, do NRPUP, ficou em segundo lugar, com 37,37%.
A apuração foi suspensa por seis horas no dia seguinte à votação, após a Comissão Eleitoral citar ataques a funcionários e roubo de cédulas já marcadas. Em 14 de agosto, forças de segurança invadiram uma propriedade ligada a Mundubile em Lusaka. O ex-ministro Mototwe Kafwaya, de 49 anos, foi baleado e morto durante a operação. O governo afirmou ter desmantelado uma suposta milícia e deteve onze pessoas; Mundubile classificou as acusações como “fabricações totais”.
Missões internacionais de observação descreveram o pleito como realizado em um “contexto de espaço democrático restrito”. McNamara, chefe da missão da União Europeia, afirmou que a disputa foi desigual e que a cobertura da mídia favoreceu fortemente o governo.







