A Supercombo prepara uma turnê em homenagem aos dez anos do álbum “Rogério” e avalia uma possível série de shows pelos 20 anos da banda. Os formatos e a divulgação ainda estão em discussão, segundo o tecladista Paulo Vaz.
A fase também é marcada pela apresentação de “Caranguejo”, trabalho mais recente do grupo, que combina guitarras pesadas, ritmos brasileiros, humor e reflexões sobre a vida nas redes sociais. Para Vaz, lançar o disco em duas partes permitiu observar melhor a repercussão das músicas. “A banda está efetivamente sendo ouvida e escutada agora, e estamos muito felizes”, afirmou.
Posições políticas no palco
A defesa da democracia, da redução da desigualdade e do fim da escala 6×1 passou a ser apresentada de maneira mais direta pela banda. O vocalista Léo Ramos afirma que artistas devem se posicionar diante do momento político, independentemente do gênero musical.
Durante uma fala de Ramos ao fim de “Amianto”, no Rock in Rio, o canal Bis interrompeu a transmissão da apresentação. A exibição voltou ao palco depois que o discurso havia terminado. Os integrantes só descobriram o corte após o show, quando começaram a acompanhar as notícias; depois, seguiram observando o caso no ônibus.
Ramos diz que a manifestação surgiu de forma natural, como já havia ocorrido em outros shows. A intenção, segundo ele, é estimular as pessoas a sair de casa, votar e refletir sobre as próprias escolhas. “Independente da música que você toca ou faz, eu acho que tem certos momentos da história que a gente vive em que é importante se posicionar”, declarou.
O vocalista reconhece que a política nem sempre apareceu de modo tão explícito na trajetória da Supercombo. Agora, considera necessário explicar as causas defendidas pelo grupo, incluindo a igualdade para todos, o fim da escala 6×1 e a diminuição da desigualdade. Ele também afirma que esses valores aparecem nas letras de forma carinhosa, poética e lúdica.
No palco, Ramos mencionou a necessidade de uma “manutenção” no Congresso e no Supremo Tribunal Federal. Na entrevista, relacionou a fala à insatisfação com notícias sobre determinadas pessoas e à preocupação com o funcionamento das instituições. Ele defende que eventuais mudanças sejam feitas de maneira democrática e cita como temas de discussão os critérios para a escolha de ministros, o tempo de permanência nos cargos e os procedimentos diante de evidências de irregularidades.
Rock, ritmos brasileiros e redes sociais
O episódio do festival também mudou o sentido atribuído pela banda à faixa “A Transmissão”, que abre “Caranguejo”. Antes do show, a música tratava principalmente da relação entre razão e emoção, representada pela ligação entre cérebro e coração. Depois do corte da apresentação, as imagens da canção passaram a ser associadas de forma mais concreta à transmissão interrompida.
O álbum mantém a mistura de referências que a banda relaciona ao próprio nome. Ramos vê no caranguejo, com casca dura e interior mole, uma imagem do grupo, que conserva o rock como referência sem seguir uma única fórmula. A Supercombo também reúne elementos de música brasileira, pop e irreverência.
Essa combinação aparece em “Piseiro Black Sabbath”, faixa que aproxima o peso do rock de um ritmo popular nordestino. Carol Navarro, baixista e vocalista, afirma que a música questiona a expectativa de que o gênero siga regras rígidas. Para ela, o rock pode ser dançado e misturado a estilos brasileiros.
Já “Redes Antissociais” nasceu do incômodo com a distância entre a imagem criada na internet e a vida de quem aparece nas plataformas. Ramos associa a faixa à circulação de promessas, à atuação de falsos especialistas, às bolhas digitais e aos conteúdos produzidos por pessoas que se apresentam como especialistas.
Carol também chama a atenção para os ataques contra novos artistas, principalmente mulheres e integrantes do rock. Ela critica comparações que tratam a produção do passado como necessariamente superior à atual e defende que os trabalhos não sejam transformados em uma disputa.
Espaço nos grandes festivais
Para o baterista André Dea, festivais como o Rock in Rio ajudam artistas com menos espaço a alcançar novos públicos. Ele defende que a programação contemple diferentes palcos e que a transmissão dos shows também inclua rap, trap e outros estilos ligados às periferias.
Dea afirma que as participações da Supercombo no festival contribuíram para ampliar a audiência da banda. Ramos interpreta o retorno ao evento como reconhecimento da trajetória e do trabalho atual. O vocalista também descreve o momento do grupo como de grande disposição para criar e tocar.
A banda agora concentra parte dos planos nas comemorações da trajetória e na continuidade das apresentações de “Caranguejo”.







