CARUARU — Os toyoteiros de Caruaru retomaram o transporte alternativo depois de uma suspensão no começo de julho, mas continuam sem uma regra específica que autorize o serviço de passageiros. A categoria teme novas interrupções e cobra uma regulamentação permanente da atividade.
A paralisação ocorreu após uma decisão da 2ª Vara da Fazenda Pública de Caruaru determinar que a prefeitura intensificasse a fiscalização por meio da Autarquia de Mobilidade de Caruaru (AMC). Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 10 mil por dia. A ordem restringia a circulação do transporte alternativo em áreas atendidas por linhas de ônibus.
O impacto chegou aos moradores de regiões afastadas do centro e da zona rural, onde a cobertura de ônibus não atende todas as necessidades. Também atingiu comerciantes que dependem dos loteiros para trabalhar.
Pedro Cavalcanti, 51, vende lanches em um terminal de loteiros próximo ao residencial Luiz Bezerra Torres, no Alto do Moura. Durante a suspensão, ele precisou recorrer a alternativas mais caras para comprar mercadorias e viu o faturamento cair pela metade. Para o comerciante, os ônibus não oferecem o serviço necessário para a rotina de moradores e trabalhadores.
Decreto autoriza fretamento
Na segunda quinzena de julho, após protestos da categoria, o prefeito Rodrigo Pinheiro assinou um decreto autorizando loteiros com veículos de placa vermelha a fazer serviços de fretamento. A medida, porém, não permite expressamente o transporte de passageiros pelas toyotas, que continuou sendo realizado nos moldes anteriores.
Fernando Damasceno, toyoteiro e diretor da Cooperativa dos Transportes Alternativos de Passageiros de Caruaru (Cooptralter), afirma que a demanda está voltando gradualmente. Ele trabalha na atividade há quase duas décadas e relata que a interrupção provocou perda de empregos e outros impactos entre os passageiros.
Segundo Damasceno, o retorno tem apenas 15 dias e ainda não recuperou completamente o movimento. Ele também diz que permissões para os toyoteiros voltaram a ser emitidas, depois de deixarem de ser liberadas desde 2017, mas somente para o fretamento. A categoria afirma que, há mais de 10 anos, conseguia manter a situação regularizada com vistorias e alvarás.
Os toyoteiros consideram o decreto insuficiente e defendem regras próprias para o transporte de passageiros. Damasceno diz que houve conversas sobre o tema, mas que não identifica movimentação favorável à regulamentação.
A Prefeitura de Caruaru foi procurada para informar as perspectivas de regulamentação, mas não respondeu até o fechamento. O espaço permanece aberto para manifestação.







