A Polícia Federal prendeu em flagrante Wilker Leão, candidato a deputado federal pelo Novo, após uma ação no Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB), no último domingo (27). Ele foi detido por dano ao patrimônio público da União e permaneceu 24 horas na Superintendência da Polícia Federal. Na segunda-feira (28), foi solto por decisão da Justiça Federal, sem fiança ou medidas cautelares.
Leão teria pago R$ 150 a pelo menos dez integrantes de torcidas organizadas do Flamengo e do São Paulo para atuar como escolta, provocar estudantes e participar de atos de violência e depredação. De acordo com integrantes de organizadas do Distrito Federal, o grupo reunia membros do 23º Pelotão da Torcida Jovem do Flamengo e da sub-sede de Brasília da Torcida Independente.
Durante a ação, cerca de 15 pessoas teriam coberto de tinta branca os murais do departamento. Estudantes do curso de Artes Visuais relataram agressões físicas e ofensas racistas e homofóbicas. Akim Borges, que estava no local para documentar a ocorrência a pedido da segurança patrimonial da universidade, disse ter levado um soco na cabeça e precisado fazer uma tomografia no hospital.
“Fomos recebidos com muita ofensa e pirraça dos agressores, que foram racistas comigo e com um colega”, afirmou Borges. Ele informou que cinco boletins de ocorrência foram registrados e que exames de corpo de delito foram realizados no Instituto Médico Legal.
Reação da universidade
A reitora da UnB, Rozana Naves, condenou a ação e afirmou que Leão, ex-aluno expulso da instituição em 2025 por intimidar professores e estudantes, participou do episódio acompanhado pelos homens contratados.
“É inadmissível que pessoas externas venham fazer intervenções no patrimônio público sem autorização”, disse a reitora. A administração da universidade acionou os protocolos de segurança e chamou a Polícia Federal.
Em agosto deste ano, o coletivo antifascista Bonde do Mao, ligado à Torcida Jovem do Flamengo, já havia denunciado uma oferta de R$ 150 para que integrantes da torcida fizessem a escolta de Leão em uma universidade. Membros ouvidos confirmaram que o pagamento teria se repetido no episódio de domingo.
As divisões locais das torcidas no Distrito Federal atuam de forma autônoma, e suas posições políticas não são necessariamente endossadas pelas matrizes nacionais no Rio de Janeiro e em São Paulo. Integrantes também relataram contestação interna à aproximação das lideranças locais com políticos conservadores.
Em vídeo nas redes sociais, Leão classificou a prisão como “arbitrária” e afirmou que pretendia apenas “revitalizar” o prédio e apagar pichações ideológicas. Ele não respondeu aos questionamentos sobre a contratação dos torcedores. A Polícia Militar do Distrito Federal e a Polícia Federal também não responderam às perguntas sobre os chamados via 190, os fundamentos da prisão e a identificação de outros envolvidos.







