Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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A fé dos candidatos precisa ser medida pelo cuidado com o próximo

A campanha eleitoral pode invocar princípios cristãos, mas os Evangelhos oferecem critérios como justiça, misericórdia e cuidado com os vulneráveis.

A fé dos candidatos precisa ser medida pelo cuidado com o próximo

A presença constante de Deus em discursos, vídeos, santinhos, palanques e redes sociais não basta para definir uma candidatura como cristã. O critério mais importante está na distância — ou na proximidade — entre aquilo que o candidato defende e a mensagem atribuída a Jesus nos Evangelhos.

Jesus não pode ser transportado diretamente para as categorias partidárias atuais. Ele não conheceu direita e esquerda como são compreendidas hoje, nem os partidos políticos brasileiros. Os Evangelhos, porém, apresentam princípios concretos: misericórdia, justiça, amor ao próximo, acolhimento de quem foi colocado à margem e cuidado com quem sofre.

Quem é colocado no centro

Jesus se aproximava de pessoas rejeitadas ou desprezadas. Sentava-se com publicanos e pecadores, conversava com uma mulher samaritana e fazia do samaritano o personagem central da história sobre o próximo. A mensagem é que o próximo não é apenas alguém do mesmo grupo: é quem se aproxima de quem precisa de cuidado.

Na narrativa da mulher acusada de adultério, Jesus também não se junta à multidão que pretendia apedrejá-la. Diante de uma pessoa exposta e vulnerável, ele desmonta o tribunal moral formado pelos acusadores.

Essas histórias não eliminam responsabilidade, conversão ou mudança de vida. Elas mostram, porém, uma atitude que contrasta com a condenação automática e com a transformação da fé em instrumento de poder.

Religião como propaganda

Professar uma fé publicamente faz parte da liberdade religiosa. O problema aparece quando o nome de Deus vira propaganda e a prática política se distancia da misericórdia, da justiça e do cuidado com os vulneráveis.

Nos Evangelhos, Jesus critica lideranças que exibiam a própria religiosidade e buscavam prestígio enquanto exploravam pessoas vulneráveis. A crítica não é dirigida à existência da fé, mas à contradição entre o que se prega e o que se pratica.

Por isso, quem reivindica os chamados princípios cristãos pode ser observado por perguntas concretas: o projeto considera quem tem fome, quem não consegue trabalho, a mulher violentada, quem sofre preconceito, quem pertence a outra religião, quem pensa diferente e quem foi chamado de pecador?

Os Evangelhos não entregam ao eleitor um número para digitar na urna. Também não permitem reduzir Jesus facilmente aos programas políticos atuais. Oferecem, contudo, critérios para avaliar qualquer projeto de sociedade: justiça, misericórdia, dignidade humana, solidariedade e cuidado com os vulneráveis.

No momento de escolher, a questão central não precisa ser quantas vezes um candidato pronunciou o nome de Deus. Pode ser outra: quem está disposto a se aproximar daqueles de quem Jesus se aproximou?

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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