RIO DE JANEIRO — Em sua primeira edição no centro do Rio de Janeiro, a CASACOR Rio ocupa o Edifício Aliança Bahia, construído entre 1957 e 1961 e recentemente retrofitado pelo arquiteto Ruy Rezende (1951–2024). A mostra celebra 35 anos com 47 ambientes distribuídos por sete andares, incluindo o rooftop.
O edifício, reconhecido como um ícone modernista, serve de ponto de partida para uma programação que aproxima patrimônio, memória, arquitetura e as transformações contemporâneas da cidade. A paisagem do centro também participa da experiência, com ambientes voltados para diferentes formas de preservar referências do passado e atualizar o jeito de morar.
Modernismo e memória carioca
Em Permanência, do Lessazanetta Arquitetura, peças de Oscar Niemeyer e Percival Lafer aparecem diante da vista do Edifício Gustavo Capanema. O ambiente também reúne obras de arte com curadoria de Heloísa Amaral Peixoto.
Entre Palmas, de Cristina Japiassú, recupera referências das antigas casas do centro do Rio por meio de madeira escura, antiguidades e vitrais. O projeto valoriza o reaproveitamento e a permanência de elementos associados à memória.
Tom Castro Arquitetura combina modernismo, brutalismo e arte contemporânea em Desvio Moderno, inspirado na obra Desvio para o Vermelho, de Cildo Meireles. Na Casa Bric, do Bric Arquitetura, o conceito de machine à habiter, de Le Corbusier, orienta a composição com mobiliário brasileiro, peças autorais e áreas de respiro.
As lembranças dos casarões também aparecem em Casarão Senta, Teresa!, de Paula Müller, que reúne antiguidades, formas orgânicas e elementos artesanais inspirados em Santa Teresa. Um tapete criado especialmente para o espaço remete aos ladrilhos hidráulicos.
A mostra ainda apresenta exposições sobre arquitetura e design. Fragmentos do Avesso aproxima as trajetórias de Percival Lafer e Paulo Werneck, com mobiliário, reedições, estudos, objetos e registros históricos. A iniciativa é realizada pela ETEL e pelo Arquivo Contemporâneo.
Em Rio Entre Tempos, o Instituto Rio Memórias, com curadoria de Joaquim Marçal, acompanha visualmente as transformações urbanas e arquitetônicas do centro do Rio. A exposição se relaciona à paisagem vista do Edifício Aliança Bahia e destaca construções do entorno.
A casa para diferentes necessidades
Além da preservação e da memória, a CASACOR Rio propõe discussões sobre bem-estar, sensorialidade, acessibilidade e convivência entre gerações.
No Recôndito Remanso, Sergio Conde Caldas imagina o consultório de um psicanalista como um espaço de pausa e introspecção. O projeto de Paula Neder explora aromas, materiais e texturas, com muxarabis, madeira, obras de arte e soluções de menor consumo de água.
O Espaço de Cura, assinado por Natália Lemos Arquitetura, é dedicado ao cuidado e ao bem-estar. A relação entre água, pedra e natureza aparece em materiais como Mármore Beige Bahia, madeira e inox, além de uma banheira de Chukum. Referências a Lina Bo Bardi, Jader Almeida e Sérgio Rodrigues completam o diálogo com o design brasileiro.
Entre Tempos, de Gisele Taranto Arquitetura, investiga a convivência entre diferentes gerações em um lar multigeracional. Já Um Lugar para Todos, de Jairo de Sender e Corbellini Lopes Arquitetura, coloca a acessibilidade no centro do projeto para um casal com mais de 60 anos, em que a mulher é cadeirante.
Com esses ambientes, a mostra conecta o modernismo do edifício, as memórias do centro e as demandas atuais da moradia, apresentando preservação e transformação como partes de uma mesma discussão.







