HELSINQUE — Uma nova versão da Futuro House, casa pré-fabricada com aparência de disco voador projetada pelo arquiteto finlandês Matti Suuronen, foi apresentada na Helsinki Design Week. A instalação ficou nos Jardins Botânicos de Kaisaniemi durante a edição do festival realizada de 28 de agosto a 6 de setembro de 2026.
O projeto de releitura foi conduzido pelo construtor americano Jan van Dijs, especialista em preservação arquitetônica. Ele encontrou os moldes originais da casa à venda no Facebook e começou a trabalhar na restauração depois de entrar em contato com o legado arquitetônico de Suuronen, em 2024.
Uma casa portátil da Era Espacial
Projetada em 1968, a Futuro House surgiu sob a influência da estética Space Age, período em que a corrida espacial e os avanços tecnológicos alimentavam uma visão futurista para a arquitetura e o design. A construção tinha formato elíptico, janelas ovais e ficava elevada sobre pernas.
A proposta de Suuronen era criar uma casa portátil de lazer, que pudesse ser transportada para diferentes lugares, como estações de esqui. Embora tivesse sido pensada para produção em massa, menos de 100 unidades foram fabricadas entre o final dos anos 1960 e o início dos anos 1970. Cerca de 60 exemplares ainda existem espalhados pelo mundo.
A produção terminou em 1973. A alta no custo do plástico, provocada pela crise do petróleo, tornou a fabricação cara e dificultou a continuidade do projeto.
Moldes ficaram em terreno aberto
Os moldes localizados por van Dijs pertenciam à empresa finlandesa Polykem Ltd, que faliu em 1992. Eles haviam permanecido em um terreno aberto por mais de 50 anos, cobertos de grama, terra e mofo.
O americano viajou para a Finlândia em maio de 2025 para examinar o material. Jyrki Aho, executivo de uma empresa sediada no país, ajudou a iniciar as negociações com a família de Suuronen para permitir a reprodução da casa.
“Não havia sequer como saber se conseguiríamos realizar esse projeto”, disse van Dijs em comunicado.
A restauração dos moldes e a produção dos novos painéis foram feitas com a empresa finlandesa Ekin Muovi. A equipe também reproduziu as cores originais, identificadas a partir de resíduos de tinta preservados nos moldes. Móveis desenhados por Suuronen, como poltronas embutidas, uma mesa de jantar e a cadeira Orbit, foram incluídos na reconstrução.
O processo de fabricação levou cinco meses. Considerando também a restauração dos móveis, van Dijs estima que o projeto tenha custado cerca de 450.000 euros. Para futuras unidades, a expectativa é de um valor inferior a 300.000 euros.
Na instalação da Helsinki Design Week, a Marimekko organizou o interior da Futuro No. 21 em três áreas: descanso e sono, refeições e trabalho, além de uma cozinha compacta.
No Brasil, a casa se aproxima visualmente da Casa Bola, projeto do arquiteto Eduardo Longo construído entre 1974 e 1979, em São Paulo. Apesar da semelhança formal, as técnicas foram diferentes: Longo utilizou argamassa armada, enquanto Suuronen empregou polímeros reforçados com fibra de vidro.








