Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Ciência

Minerais revelam três momentos de água na história da cratera Jezero

Análise do Perseverance encontrou sinais de água subterrânea, possível influência de lago e circulação de água quente nas rochas.

Minerais revelam três momentos de água na história da cratera Jezero
Foto: NASA/JPL-Caltech

A presença de fluorita nas rochas da cratera Jezero levou os cientistas a uma das principais conclusões sobre a região: em algum momento, água quente circulou por formações vulcânicas de Marte. O mineral aparece em veios com cerca de 25 centímetros de espessura, ao lado de sulfato de cálcio, na área leste da chamada Margin Unit.

A descoberta faz parte de uma análise que identificou pelo menos três episódios de interação entre água e rochas. A equipe conseguiu estabelecer a sequência desses eventos, mas ainda não determinou a idade de cada um.

Do subsolo ao antigo lago

O Perseverance chegou à borda interna da cratera em setembro de 2023. A Margin Unit se estende pela margem de um antigo lago marciano e foi analisada em diferentes altitudes. Ao explorar a região, o rover percorreu aproximadamente 265 metros de elevação.

Nas áreas mais altas, foram encontradas rochas cristalinas e de granulação grossa, formadas por olivina. Elas se originaram do resfriamento lento de magma em uma parte profunda do subsolo e chegaram à superfície depois que o terreno acima foi desgastado pela erosão.

As rochas das áreas mais baixas, próximas ao antigo leito do lago, apresentam olivina fraturada e sílica entre os grãos. Também há sinais de que a composição do material foi alterada pela água.

O primeiro episódio identificado envolveu água subterrânea rica em dióxido de carbono. A reação com a olivina produziu carbonato nas fraturas das rochas, especialmente em áreas de menor altitude. Hoje, essas fraturas preenchidas permanecem como estruturas elevadas, enquanto o material mais macio ao redor foi desgastado.

O segundo evento pode estar relacionado ao lago que ocupava a cratera. A equipe encontrou mais sílica nas rochas que ficavam abaixo da linha d’água. Eleni Ravanis, cientista planetária da University of Hawaii at Manoa e coautora do estudo, explicou que a transformação da olivina em carbonato pode deixar sílica como resultado.

O terceiro episódio foi marcado pela formação dos veios minerais. A fluorita chamou a atenção porque costuma se formar quando água quente passa por rochas vulcânicas, indicando uma etapa posterior de circulação de água subterrânea aquecida.

O que o rover encontrou

A análise foi feita com apoio do instrumento SuperCam, instalado no mastro do Perseverance. O equipamento identifica a mineralogia a partir da luz refletida pelas rochas e pode disparar um laser a até 6,5 metros de distância. O espectro do plasma produzido pelo disparo ajuda a determinar a composição química do material.

Até agora, o rover analisou dessa forma mais de 185 alvos de rocha na Margin Unit. O resultado contrariou a expectativa inicial de que a área tivesse rochas sedimentares formadas pelo acúmulo de camadas de areia. A previsão também levava em conta a presença de minerais carbonáticos observada por sondas em órbita.

Para a NASA, os cristais minerais das rochas ígneas preservam informações sobre o momento em que elas se formaram. Carbonatos e sílica também são relevantes para a investigação da vida antiga. Na Terra, a interação entre água e olivina pode liberar hidrogênio, usado como fonte de alimento por alguns microrganismos, além de produzir minerais capazes de preservar vestígios desses organismos.

“Mas agora sabemos que esse local se tornou uma espécie de encruzilhada para sistemas aquosos”, afirmou Candice Bedford, pesquisadora da Purdue University e principal autora do estudo.

A missão do Perseverance tem entre seus objetivos a astrobiologia, incluindo a busca por sinais de vida microbiana antiga. O rover também investiga a geologia e o clima passado de Marte, além de coletar e armazenar amostras de rochas e regolito marcianos. Para Bedford, os resultados podem ajudar a reconstruir as mudanças no clima e na habitabilidade da cratera Jezero e do planeta.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5