A futura rede de comunicações da NASA em Marte terá uma única espaçonave, mas a escolha da empresa responsável pelo projeto agora está sob contestação. A Rocket Lab apresentou nesta sexta-feira (11) um protesto ao Government Accountability Office (GAO) contra o contrato concedido à Blue Origin, empresa de Jeff Bezos.
O acordo prevê US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões) para a Blue Origin desenvolver, lançar e operar o Mars Telecommunications Network (MTN). A espaçonave deverá retransmitir dados entre controladores na Terra e missões da NASA que estejam na superfície ou em órbita de Marte.
A Rocket Lab questiona tanto a elegibilidade da concorrente quanto a análise feita sobre sua própria proposta técnica. Em uma publicação no X, a empresa afirmou que a decisão pode não seguir os critérios definidos pelo Congresso dos Estados Unidos. Também acusou a agência de apresentar avaliações e conclusões incorretas sobre o conteúdo técnico de sua oferta.
“A decisão da NASA parece ser inconsistente com os critérios de elegibilidade determinados pelo Congresso”, afirmou a Rocket Lab. A companhia disse ainda que o protesto busca garantir o cumprimento das regras de contratação e uma competição justa em um projeto de infraestrutura para a exploração de Marte.
Como funcionará o projeto
Apesar do nome, o MTN não será composto por uma rede de vários satélites. O plano prevê somente um orbitador, que funcionará como ponte para as comunicações das missões da NASA no planeta.
Atualmente, a retransmissão de dados em Marte é feita por dois orbitadores da agência: a Mars Odyssey, lançada em 2001, e a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), que chegou ao espaço em 2005. A NASA estudava há anos a criação de uma nova estrutura de telecomunicações para o planeta.
O Congresso aprovou o financiamento de US$ 700 milhões em julho de 2025. A concorrência para escolher a empresa foi aberta em maio deste ano, e a NASA anunciou no início deste mês que a Blue Origin havia vencido. O contrato estabelece que a espaçonave seja entregue até 31 de dezembro de 2028, com previsão de funcionamento em Marte em 2030.
Contestação repete episódio envolvendo a Blue Origin
A Blue Origin já havia recorrido ao GAO em uma disputa com a NASA. Em 2021, a empresa contestou a escolha da SpaceX para fornecer o primeiro módulo lunar tripulado do programa Artemis. O órgão rejeitou o pedido em julho daquele ano, e uma ação judicial apresentada depois também terminou com derrota da empresa, em novembro de 2021.
Mais tarde, a NASA selecionou um segundo módulo lunar para o Artemis, e a Blue Origin venceu esse contrato em 2023. Agora, a Rocket Lab usa o mesmo mecanismo para tentar revisar a decisão sobre o orbitador de comunicações de Marte.







