WASHINGTON — Os Estados Unidos confirmaram que mantêm armas em órbita, encerrando anos de silêncio oficial sobre sistemas de combate no espaço. A informação foi divulgada por Troy Meink, secretário da Força Aérea dos EUA, durante uma conferência militar realizada na segunda-feira (14), nas proximidades de Washington.
Meink afirmou que os equipamentos foram posicionados para proteger a infraestrutura espacial norte-americana e responder ao avanço de tecnologias antissatélite desenvolvidas por China e Rússia. O secretário, porém, não revelou quantos sistemas existem, quando foram instalados, como funcionam ou se já foram testados.
“Os Estados Unidos agora possuem armas de controle espacial em órbita capazes de defender a força conjunta contra ações de adversários hostis”, disse Meink na conferência anual Air, Space & Cyber, promovida pela Air and Space Forces Association.
O que ainda não foi informado
A expressão controle espacial não esclarece se os equipamentos podem interferir eletronicamente em outros satélites, danificá-los ou destruí-los fisicamente. Também não foram divulgados possíveis alvos, alcance ou limitações operacionais.
Segundo Meink, tornar pública a existência dessas armas tem função de dissuasão, mas revelar detalhes técnicos não ajudaria nesse objetivo. A data de implantação também permanece desconhecida. Como programas militares espaciais podem exigir anos de desenvolvimento, a iniciativa pode ter começado durante outro governo.
A confirmação representa uma mudança na comunicação do Pentágono. Até poucos anos atrás, autoridades de alto escalão evitavam falar abertamente sobre combates orbitais. Mais recentemente, líderes militares passaram a mencionar contramedidas defensivas instaladas em satélites, operações no espaço e equipamentos terrestres capazes de incapacitar veículos de países adversários.
China e Rússia são citadas como rivais
Ao justificar a medida, Meink mencionou os programas espaciais de Pequim e Moscou. Autoridades norte-americanas vêm destacando, desde 2020, testes russos associados a um possível sistema antissatélite em órbita. Em 2024, integrantes do governo de Joe Biden acusaram a Rússia de ter colocado em operação armamentos dessa categoria.
Também em 2024, Mike Turner, então presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, divulgou uma avaliação sobre a possibilidade de Moscou instalar uma arma nuclear no espaço. Uma detonação na órbita baixa da Terra poderia comprometer espaçonaves militares e civis, incluindo satélites de espionagem, equipamentos chineses, unidades da constelação Starlink e a Estação Espacial Internacional.
A China opera satélites altamente manobráveis que despertam preocupação no comando militar dos EUA. Dados públicos indicam que alguns desses veículos se aproximam regularmente de ativos norte-americanos, possivelmente para observação. Satélites dos Estados Unidos também fazem aproximações de espaçonaves chinesas e russas.
Em sua avaliação de ameaças espaciais de 2025, analistas do Center for Strategic and International Studies afirmaram que o domínio tecnológico e operacional chinês poderia sustentar “um formidável arsenal contraespacial em órbita”, caso essa capacidade ainda não tivesse sido mobilizada para essa finalidade.
Possíveis tipos de armamento
Sem informações técnicas do Pentágono, não é possível saber qual arma foi colocada em órbita. Os sistemas contraespaciais podem incluir lasers, bloqueadores de radiofrequência e armas cinéticas, capazes de atingir fisicamente um alvo. Essas tecnologias podem ser instaladas no solo ou no ambiente orbital.
Em 2025, Chance Saltzman, então chefe de operações espaciais da Força Espacial, afirmou que outros países, presumivelmente China e Rússia, buscavam desenvolver todas as seis categorias de armamentos espaciais consideradas pelo comando norte-americano. Na ocasião, ele disse que os Estados Unidos ainda não perseguiam todas elas, mas consideravam importante contar com cada tipo de capacidade.
O primeiro sistema de armas reconhecido publicamente pela Força Espacial foi apresentado em junho de 2026. Chamado Meadowlands, o equipamento é um bloqueador móvel instalado no solo e criado para interferir nas comunicações de satélites. Ele não explica a declaração de Meink, que trata especificamente de armas posicionadas em órbita.
A dependência de satélites aumenta o peso estratégico desses sistemas. As Forças Armadas usam a infraestrutura orbital para comunicação, navegação e alerta antecipado de mísseis. As aplicações também incluem sensoriamento, localização de alvos, conexão de banda larga por redes como a Starlink e, possivelmente, interceptadores espaciais voltados à defesa antimísseis.
A expansão transforma satélites em componentes fundamentais das operações militares e em alvos estratégicos. O sigilo sobre as armas reconhecidas por Meink impede determinar se elas têm função predominantemente defensiva ou se também podem ser usadas contra sistemas adversários.







