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Satélite com espelhos reacende debate sobre regras para atividades no espaço

Astrônomos querem uma opinião da Corte Internacional de Justiça sobre os efeitos de redes de satélites no céu e na astronomia.

Satélite com espelhos reacende debate sobre regras para atividades no espaço
Foto: ipopba/iStock

A autorização para o lançamento de um satélite experimental com espelhos colocou novos projetos orbitais no centro da discussão entre astrônomos. Em julho, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) permitiu que a Reflect Orbital lançasse o Eärendil-1, equipamento criado para refletir a luz do Sol até usinas fotovoltaicas depois do anoitecer.

Críticos avaliam que uma futura rede com dezenas de milhares de espelhos poderia elevar o brilho do céu a níveis capazes de inviabilizar observações astronômicas em várias partes do mundo. O caso se soma à preocupação com megaconstelações de internet e com planos de empresas como SpaceX, Google e Starcloud para formar grandes redes voltadas a serviços de internet e computação.

Consulta internacional

O Outer Space Institute lidera uma mobilização para levar o tema à Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta é pedir à Corte Internacional de Justiça (CIJ) uma opinião consultiva sobre as responsabilidades dos países que autorizam lançamentos e outras atividades orbitais.

A campanha começou em 2023, inicialmente por causa dos efeitos de constelações como a Starlink. Nos últimos 12 meses, a atenção aumentou com anúncios de centros de dados espaciais feitos por empresas de tecnologia e do setor aeroespacial.

Entre os pontos levantados pelos pesquisadores estão o aumento de objetos em órbita, a expansão da poluição luminosa e os prejuízos às observações astronômicas. Eles também defendem maior clareza sobre as obrigações dos países e possíveis mudanças nas regras de licenciamento de satélites.

Limites do consenso

Os astrônomos já tentaram discutir a questão no Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS). Uma proposta para criar um grupo dedicado à poluição luminosa, porém, não teve aprovação unânime.

“Conseguir aprovar algo pelo COPUOS pode ser muito, muito difícil porque o COPUOS trabalha por consenso”, disse Aaron Boley, astrônomo da Universidade da Colúmbia Britânica e codiretor do Outer Space Institute.

Na Assembleia Geral da ONU, um único país poderia apresentar uma resolução para solicitar o parecer da CIJ. O pedido precisaria da maioria simples dos Estados presentes e votantes. A decisão não teria força jurídica obrigatória, mas poderia influenciar disputas e processos nacionais. Para Robin J. Frank, ex-assessora jurídica da NASA, seu uso em ações domésticas “tem um peso substancial”.

Referência climática

A estratégia se inspira em Vanuatu. Em 2023, o país obteve apoio internacional para pedir à CIJ uma análise sobre as obrigações dos Estados diante das mudanças climáticas. O tribunal publicou o parecer em julho de 2025, que depois foi citado por grupos ambientais em processos locais na França.

Os astrônomos esperam que uma iniciativa semelhante ajude a interpretar o Artigo 9 do Tratado do Espaço Sideral de 1967. A regra determina que os países considerem os interesses e as atividades de outras nações ao explorar o espaço. A CIJ não definiria um limite de lançamentos, mas poderia esclarecer como os Estados devem avaliar os efeitos de suas ações orbitais.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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