SANTA TERESA — Nas montanhas do Espírito Santo, Santa Teresa reúne a herança das famílias italianas que chegaram ao Brasil no século XIX e uma Mata Atlântica conhecida pela diversidade de beija-flores. Reconhecida por lei federal como pioneira da imigração italiana no país, a cidade também recebeu o título de Terra dos Colibris.
A relação com essas aves está ligada ao trabalho do cientista Augusto Ruschi, nascido no município em 12 de dezembro de 1915. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ele ganhou projeção mundial por pesquisas sobre beija-flores e por técnicas de captura, transporte e manutenção dessas aves em cativeiro. Em 1994, recebeu postumamente o título de Patrono da Ecologia no Brasil.
A Reserva Biológica Augusto Ruschi, localizada no município, abriga mais de 30 espécies de beija-flores. O portal de turismo do Governo do Espírito Santo apresenta Santa Teresa como Capital Estadual dos Colibris e informa que cerca de 40% do território municipal permanece coberto por Mata Atlântica.
Floresta e diversidade
A Estação Biológica de Santa Lúcia registra cerca de 380 espécies de árvores em um hectare. Um estudo publicado em 2024 na revista Biota Neotropica aponta que pesquisadores acompanham, desde 1992, parcelas permanentes que somam 1,02 hectare. Ao longo de três levantamentos, foram registradas 386 espécies de árvores e palmeiras.
Desde o primeiro inventário, 34 espécies novas foram descritas a partir de material coletado nas parcelas. A maioria foi encontrada apenas nas serras capixabas, e cerca de 23% das árvores monitoradas aparecem em alguma lista de ameaça. Com aproximadamente 440 hectares, a estação é mantida pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e permanece fechada para visitas sem finalidade científica.
Memória italiana e produção de uvas
A formação do município está ligada à chegada do navio La Sofia a Vitória, em 17 de fevereiro de 1874, com 388 imigrantes contratados por Pietro Tabacchi. Depois que o empreendimento original em Santa Cruz não prosperou, parte das famílias seguiu para o Núcleo de Timbuhy, atual Santa Teresa, segundo o Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES).
A Lei nº 13.617, de 2018, instituiu o dia 26 de junho como data de reconhecimento do município como pioneiro da imigração italiana no Brasil. A influência dos imigrantes também aparece na agricultura e na gastronomia: Santa Teresa responde por cerca de 80% da produção de uva e vinho do estado, conforme o portal estadual de turismo.
Passeios pela cidade
O centro histórico concentra museus e casarões. Entre os pontos do roteiro oficial divulgado pelo estado estão o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, criado por Ruschi em 1949 e hoje ligado ao INMA; a Rua do Lazer, com restaurantes, bares e movimento noturno; e o Museu da Cultura e Imigração Italiana.
Para conhecer a produção local, o roteiro inclui as vinícolas Ziviani, Tabocas e Tomazelli. Também fazem parte das opções a Rampa de Voo Livre do Caravaggio, com mirante voltado para o vale, e o Parque Municipal São Lourenço, área de Mata Atlântica próxima ao centro, com cachoeira em meio à floresta.
A altitude contribui para temperaturas mais amenas que as do litoral capixaba. O verão costuma ser chuvoso, enquanto o inverno é seco e fresco. Em julho, a mínima média fica em torno de 15°C. As condições podem variar de um ano para outro, por isso a previsão atualizada deve ser consultada antes da viagem.







