MAR DEL PLATA — Uma expedição de cientistas argentinos encontrou 29 peças de lixo no leito do Cânion Submarino de Mar del Plata, a profundidades de até 3.820 metros. O estudo foi publicado na revista PLOS One.
A equipe usou o veículo operado remotamente ROV SuBastian em 17 mergulhos realizados entre julho e agosto de 2025. Durante a missão, o robô também ajudou a registrar cerca de 40 espécies que podem ser novas para a ciência.
Entre os resíduos observados estavam embalagens plásticas de macarrão instantâneo e de salsicha coreana, sacolas, copos, embalagens de alimentos e materiais de pesca comercial. Foram encontrados cabos de náilon e linhas com anzóis.
“Para mim, a peça individual de lixo mais marcante foi uma única bota, caída no fundo do mar”, disse o biólogo marinho Daniel Laurett.
Risco para a pesquisa e para a vida marinha
Em um dos mergulhos, uma corda de pesca surgiu diante do ROV e fez a equipe interromper a operação para evitar uma colisão. Diego Urteaga, biólogo marinho e pesquisador envolvido no estudo, afirmou que o episódio foi o que mais o impressionou.
Os pesquisadores consideram a pesca comercial a fonte mais provável dos resíduos, mas também mencionam a possibilidade de contribuição de navios comerciais, embarcações recreativas e atividades em terra. Correntes marinhas podem transportar os materiais por longas distâncias.
Os objetos serviam como superfícies artificiais para organismos do fundo do oceano. Uma estrela-do-mar foi vista presa a uma sacola plástica, enquanto vermes de mar profundo colonizaram um conjunto de cordas de pesca.
De acordo com os pesquisadores, esse processo pode alterar comunidades locais e permitir que organismos cheguem a regiões onde normalmente não ocorreriam. As consequências ecológicas ainda são pouco compreendidas.







