A curvatura do horizonte pode ser percebida com mais clareza a partir de aproximadamente 20 km de altitude, segundo a explicação do divulgador científico Alexsandro Mota. Uma sonda do Projeto Naos alcançou cerca de 32 km e registrou imagens da Terra na estratosfera, incluindo o oceano a aproximadamente 170 km do litoral.
O equipamento foi lançado do interior da Bahia preso a um balão. Durante a subida, passou por nuvens compostas por cristais de gelo e chegou a uma região em que o horizonte pode ser observado a grandes distâncias. As imagens foram apresentadas no programa Olhar Espacial da última sexta-feira (4), em conversa de Alexsandro com Marcelo Zurita.
O que acontece durante a subida
Na segunda edição do projeto, a sonda recebeu novas câmeras e sistemas. A equipe buscava atingir entre 28 e 32 km de altitude, faixa descrita como a “fronteira do espaço”.
O balão começa a subir com aproximadamente 2 metros de diâmetro e pode atingir cerca de 10 metros. Como a pressão e a densidade do ar diminuem em altitudes maiores, o gás em seu interior se expande. “Quando a pressão vai diminuindo, o balão vai inchando”, explicou Alexsandro.
Por esse motivo, o equipamento não é preenchido totalmente antes do lançamento. O espaço restante permite que o balão aumente de tamanho durante o trajeto. Dependendo da massa da sonda, das dimensões do balão e da quantidade de gás, os modelos usados pelo projeto podem chegar a aproximadamente 35 km de altitude.
Alcance da observação
Por volta dos 25 km, a sonda já está muito acima dos aviões de cruzeiro. A partir desse ponto, a linha de visada chega a aproximadamente 700 km em todas as direções.
As imagens também registram a curvatura do horizonte. Alexsandro explicou que lentes grande-angulares podem criar distorções esféricas, mas a curvatura correspondente à perspectiva do ponto de observação pode ser percebida quando a linha do horizonte passa pelo meio da câmera. Conforme a sonda sobe, essa forma fica mais evidente.







