SÃO PAULO — Cursos gratuitos, mentoria e apoio à produção audiovisual fazem parte da estratégia do BTG Pactual para atuar no setor musical. A proposta vai além do patrocínio de uma premiação: o banco quer oferecer aos artistas conhecimento sobre produção, contratos, direitos autorais, streaming e planejamento de carreira.
A instituição passou a patrocinar e dar nome ao Prêmio da Música Brasileira em 2025. Criado em 1993 por Zé Maurício Machline, o antigo Prêmio Sharp chegou a 33 edições e hoje se chama Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. Para André Esteves, chairman e sócio sênior do banco, premiações culturais ajudam a preservar a memória e a aproximar diferentes gerações.
Formação para os bastidores
Segundo André Kliousoff, CMO do BTG Pactual, a parceria começou a ser construída em 2024, quando André Esteves se aproximou de Zé Maurício Machline. O objetivo era apoiar o patrimônio musical brasileiro e criar uma relação mais próxima com os músicos, sem limitar a atuação à cerimônia anual.
A programação inclui o curso gratuito Música É Negócio, com conteúdos sobre produção musical, técnica de criação e aspectos regulatórios e jurídicos. A ideia é apresentar uma visão ampla do trabalho, da concepção de uma obra ao lançamento.
Outra iniciativa, chamada Te Vejo No Palco, apoia artistas na produção de conteúdo audiovisual. Já a Incubadora Musical é voltada a projetos mais maduros, tanto de músicos novos quanto de nomes consagrados. Na primeira edição, seis projetos foram aprovados entre treze artistas. Todos os participantes passaram por mentoria de produtores e especialistas.
A frente educacional responde a mudanças no mercado. Com o streaming, a indústria ampliou seu alcance nos últimos vinte anos, mas os artistas passaram a lidar diretamente com tarefas antes concentradas nas gravadoras. Contratos, direitos autorais, divulgação e outras etapas da carreira fazem parte desse trabalho.
Música como atividade econômica
Kliousoff afirma que a atuação financeira pode ajudar a reduzir a complexidade dos processos que não estão diretamente ligados à criação. Na visão dele, todo artista empreende ao transformar uma obra em atividade profissional e buscar público, reconhecimento ou retorno financeiro.
O banco também pretende estimular a troca entre os músicos. As conversas nas iniciativas passam por temas como streaming e música ao vivo, com a intenção de formar uma comunidade colaborativa e ampliar o conhecimento sobre o funcionamento do setor.
Para o CMO, há espaço para o crescimento da música brasileira dentro e fora do país. Ele cita a importância de combinar shows, streaming, redes sociais, comunicação e posicionamento para ampliar o alcance das obras. A cada edição do prêmio, segundo ele, o engajamento aumenta.
A estratégia ganhou ainda um endereço físico com o BTG Pactual Hall, em São Paulo. O teatro funciona como um espaço de contato cotidiano com a cultura e aproxima a marca de outros contextos além do mercado financeiro. A inauguração coincidiu com o período da parceria com o prêmio e foi apresentada como parte de um compromisso de longo prazo.
Continuidade da estratégia
O banco relaciona o investimento em música ao impacto econômico da atividade. O setor envolve profissionais de iluminação, produção, venda de ingressos e segurança, entre outras áreas, e movimenta recursos na economia brasileira.
A intenção declarada é manter e ampliar as iniciativas já lançadas, consolidando o posicionamento de Banco da Música Brasileira. Kliousoff resume a direção adotada pela instituição: “Consistência é a palavra.”







