Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Letícia Cesarino aponta papel das plataformas na radicalização de jovens

Antropóloga afirma que big techs criam ambientes digitais que moldam identidades e podem acelerar trajetórias extremistas.

Letícia Cesarino aponta papel das plataformas na radicalização de jovens

A antropóloga Letícia Cesarino afirma que plataformas digitais, como o Discord, não devem ser tratadas apenas como ferramentas neutras. Para ela, as big techs criam ambientes de socialização que moldam identidades e podem favorecer a radicalização, especialmente entre crianças e adolescentes.

A análise está no livro Ecologias de Crise, publicado pela Ubu. A obra investiga como as plataformas participam de espirais de radicalização, desde o recrutamento de integrantes por comunidades extremistas até a prática de atos violentos. Segundo Cesarino, o acolhimento e a sensação de excitação oferecidos nesses grupos são elementos importantes para atrair novos membros.

Algoritmos, negócios e trajetórias pessoais

O conceito de ecologia de crise dialoga com o trabalho do antropólogo britânico Gregory Bateson, um dos nomes associados à teoria cibernética. A ideia considera o extremismo como resultado da interação entre o modelo de negócio das big techs, o funcionamento dos algoritmos e as trajetórias individuais das pessoas que passam por processos de radicalização.

Cesarino também descreve uma transformação no horizonte de parte do extremismo contemporâneo. Em vez de buscar a destruição de uma sociedade considerada degenerada para fundar outra, alguns grupos passam a mirar a aceleração do colapso e a produção de ruínas. Nesse cenário, a violência deixa de estar necessariamente ligada a um projeto ideológico ou a uma visão de futuro após o colapso.

A pesquisadora afirma que essa mudança altera a forma de atuação dos extremistas. Ataques públicos e espetaculares dão lugar, em determinados casos, a práticas de violência realizadas no ambiente privado. A mediação de câmeras, filmes e imagens ganha importância nesse processo, e o Discord aparece associado a transmissões ao vivo desse tipo.

Trajetória da pesquisadora

Letícia Cesarino é professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ela também foi assessora do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania em 2023 e 2024. Em 2022, publicou O Mundo do Avesso.

A discussão foi realizada no podcast Ilustríssima Conversa, que entrevista autores de livros de não ficção e intelectuais sobre suas obras e pesquisas. O programa está disponível em aplicativos como Apple Podcasts e Spotify e publica episódios a cada duas semanas.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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