SÃO PAULO — A Pinacoteca de São Paulo inaugura neste sábado (5) a exposição Ismael Nery: Armadilha Moderna, dedicada ao artista brasileiro ligado ao modernismo e ao surrealismo. A mostra reúne cerca de 230 obras e fica em cartaz até 31 de janeiro de 2027.
O conjunto inclui o primeiro desenho feito por Nery, aos 16 anos, e a série final, História de Ismael Nery. Produzida enquanto ele tratava a tuberculose em um sanatório, a série relaciona episódios de sua vida a diferentes momentos da humanidade. Também estão expostos quase 60 óleos sobre tela, além de aquarelas e trabalhos em nanquim.
O curador Yuri Quevedo afirma que as obras estavam espalhadas por coleções privadas. Ele estima que Nery tenha produzido de 100 a 120 pinturas a óleo ao longo da vida.
Um artista ligado, mas diferente, do modernismo
A exposição aborda os pontos de contato entre Nery e nomes como Tarsila, Portinari e Di Cavalcanti, mas também destaca as diferenças de sua produção. Para Quevedo, o artista não se voltou ao nacionalismo nem à exaltação da natureza. Seu interesse estava nos dilemas subjetivos do homem moderno.
Nascido em Belém do Pará, Ismael Nery mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos nove anos. Foi aluno livre da Escola Nacional de Belas Artes e estudou na Académie Julian, em Paris. Em viagens pela Europa, teve contato com expoentes do surrealismo e do cubismo, entre eles André Breton, Marcel Noll e Marc Chagall.
A preservação da obra e a relação com Adalgisa
Nery morreu aos 33 anos, por complicações decorrentes da tuberculose. No leito de morte, pediu que sua produção fosse destruída, mas o pedido não foi atendido por seu melhor amigo, o poeta Murilo Mendes, responsável por preservar o acervo conhecido atualmente.
O artista é lembrado sobretudo pelos autorretratos e pelos retratos de sua esposa, a poeta Adalgisa Nery. Em algumas obras, os dois aparecem juntos como figuras andróginas, com aparências que parecem se fundir. Segundo Yuri Quevedo, essa abordagem sobre identidade e sensualidade permite uma leitura contemporânea de trabalhos feitos nos anos 20.
Parte do que se sabe sobre Ismael Nery vem de textos escritos por Murilo Mendes e Adalgisa Nery depois de sua morte. Adalgisa publicou A Imaginária, livro que conta parte da história do artista.
A exposição ocupa a Pinacoteca de São Paulo, na Praça da Luz, 2, Luz. O ingresso custa R$ 40,00, com entrada gratuita aos sábados.







