Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Anvisa acompanha notificações de perda de visão em usuários de remédios para diabetes

Agência analisa 13 suspeitas de Noia associadas a medicamentos com semaglutida e tirzepatida, sem confirmação de causa e efeito.

Anvisa acompanha notificações de perda de visão em usuários de remédios para diabetes
Foto: Alones/Shutterstock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pessoas que usavam medicamentos agonistas de GLP-1 para diabetes e obesidade. A doença pode causar perda permanente da visão, mas ainda não há confirmação de que os remédios tenham provocado os casos.

Registros por medicamento

As notificações envolvem Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. No painel de farmacovigilância da Anvisa, os registros aparecem assim:

  • Ozempic: 5 notificações;
  • Wegovy: 3 notificações;
  • Wegovy FlexTouch: 2 notificações;
  • Rybelsus: 2 notificações;
  • Mounjaro: 1 notificação.

A agência alerta que pode haver sobreposição entre os medicamentos citados em uma mesma notificação. Ao todo, são 12 registros relacionados à semaglutida e um à tirzepatida. O painel reúne ainda 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica registradas desde 2018, incluindo casos ligados a outras classes de medicamentos.

A Noia ocorre quando pequenos vasos que levam sangue à parte frontal do nervo óptico ficam obstruídos. Com menos oxigênio e nutrientes, as células nervosas podem ser afetadas, provocando perda repentina da visão, geralmente sem dor. Desde junho de 2025, a condição consta na bula dos medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara, por determinação da Anvisa.

Evidências e outros registros

Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology avaliou mais de 1,6 mil prontuários e identificou risco de Noia entre quatro e sete vezes maior em pacientes que receberam semaglutida, na comparação com pessoas que usavam outros medicamentos. Os autores destacaram limitações para definir uma relação de causa e efeito. Muitos participantes também tinham diabetes, condição que pode aumentar a vulnerabilidade dos vasos sanguíneos e do nervo óptico.

Rubens Belfort Neto, oftalmologista, afirmou que a presença de doenças preexistentes dificulta determinar se a Noia está ligada ao quadro clínico ou ao uso do medicamento.

O painel da Anvisa registra também 74 notificações de outras complicações visuais entre usuários das canetas. São 37 registros de visão turva e 29 de comprometimento visual. Como uma notificação pode reunir mais de um sintoma, esses dados não correspondem necessariamente ao número de pacientes.

Orientação aos pacientes

A Novo Nordisk informou que uma análise de ensaios clínicos, com mais de 83 mil pacientes-ano de observação entre os participantes que receberam semaglutida, não encontrou aumento na incidência de Noia em comparação com placebo. A empresa considera favorável a relação entre benefícios e riscos do medicamento.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, disse que monitora, avalia e comunica às autoridades informações de segurança sobre seus medicamentos, incluindo possíveis questões oftalmológicas.

Quem usa esses remédios com indicação médica não deve decidir sozinho interromper o tratamento. Se houver perda súbita ou recente da visão, é necessário buscar avaliação médica. Quando a Noia é diagnosticada, sociedades médicas recomendam suspender o medicamento. Pessoas com diabetes também devem manter os exames periódicos da retina.

A Anvisa continua analisando as notificações para verificar se há relação entre os medicamentos e os casos registrados.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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