Dois estudos publicados no International Journal of Cancer associaram hábitos alimentares comuns a um risco maior de câncer no sistema digestivo. Um deles avaliou a temperatura de bebidas como chá e café; o outro investigou o consumo de carne, com atenção especial às carnes processadas.
A pesquisa sobre bebidas muito quentes analisou a possível relação entre esse hábito e o câncer de esôfago. Os resultados indicaram que pessoas que consomem líquidos em temperaturas muito elevadas podem ter um risco até três vezes maior de desenvolver a doença em comparação com quem não mantém esse hábito.
O papel da temperatura
Nesse estudo, o foco não está necessariamente no tipo de bebida, mas no calor a que o esôfago é exposto. A investigação considera que o contato repetido com temperaturas muito altas pode provocar lesões no tecido e, ao longo do tempo, contribuir para alterações celulares.
O segundo trabalho examinou uma quantidade muito maior de dados para investigar possíveis relações entre o consumo de carne e o câncer de estômago. A análise encontrou associações entre determinados tipos de carne e um risco maior da doença.
A relação foi considerada especialmente relevante para as carnes processadas. Essa categoria inclui produtos submetidos a processos como cura, salga, defumação ou adição de conservantes. Os pesquisadores também avaliaram outros fatores ligados ao consumo de carne para compreender melhor quais padrões alimentares poderiam estar associados ao desenvolvimento do câncer de estômago.
Associações não significam certeza
Os estudos abordam doenças diferentes e usaram metodologias distintas. Em comum, apontam possíveis relações entre certos padrões de consumo e tumores no sistema digestivo.
Isso não significa que uma pessoa que beba café ou chá quente, ou consuma carne processada, necessariamente desenvolverá câncer. Estudos desse tipo identificam associações e fatores de risco, que devem ser interpretados junto do conjunto de evidências disponíveis.
Assim, no caso das bebidas, a principal questão investigada é a temperatura e a exposição repetida do esôfago ao calor. Na pesquisa sobre carne, a análise se concentra nos padrões de consumo e, principalmente, na relação entre carnes processadas e câncer de estômago.







