Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, o World Trade Center Health Program reconhece 57.044 certificações de câncer relacionadas à exposição no World Trade Center. O dado considera os registros até agosto de 2026.
Nos 12 meses anteriores, foram incluídas 10.393 novas certificações de câncer. Pela primeira vez, moradores, trabalhadores e estudantes que estavam na região ultrapassaram bombeiros, policiais e outros profissionais envolvidos no resgate e na limpeza.
As certificações somam 28.913 entre sobreviventes civis e 28.131 entre pessoas que participaram do resgate e da limpeza. O programa continua recebendo novos participantes, enquanto algumas doenças podem levar anos para se manifestar.
Tipos de câncer mais frequentes
Entre os inscritos vivos, os diagnósticos mais registrados são câncer de pele não melanoma, com 18,38 mil certificações; câncer de próstata, com 13,17 mil; câncer de mama feminina, com 4,83 mil; melanoma, com 3,86 mil; e linfoma, com 2,56 mil.
Das 14.711 condições de saúde certificadas como relacionadas à exposição nos últimos 12 meses, 10.393 foram cânceres. A poeira, a fumaça e as partículas lançadas ao ar pelo colapso das torres continham substâncias como amianto, benzeno, sílica e chumbo.
Uma meta-análise publicada em 2022, com mais de 69 mil socorristas e voluntários, identificou 19% mais casos de câncer de próstata e 81% mais casos de câncer de tireoide nesse grupo. Já um estudo publicado em 2020 apontou risco 41% maior de leucemia entre profissionais que estiveram no Ground Zero, em comparação com moradores da mesma região sem contato com a poeira.
Como a exposição pode afetar o organismo
O oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, explica que determinadas substâncias podem interferir nos mecanismos que controlam alterações durante a divisão celular.
“A divisão celular acontece milhões de vezes ao longo da vida e sempre produz erros”, afirma Stefani. Segundo ele, agentes como amianto, benzeno, sílica e chumbo podem comprometer o sistema que identifica e elimina essas falhas, permitindo o acúmulo de mutações.
Experimentos com camundongos expostos à poeira do World Trade Center encontraram inflamação mais intensa e ativação de genes associados à multiplicação celular descontrolada.
Atendimento e documentos públicos
O World Trade Center Health Program acompanha pessoas expostas aos efeitos dos atentados. Depois de uma avaliação médica, um profissional analisa se a exposição provavelmente contribuiu para causar ou agravar a doença. O atendimento inclui monitoramento, quimioterapia e medicamentos de alto custo.
Cerca de 145 mil pessoas estão inscritas no programa, atendidas por uma rede de prestadores nos Estados Unidos. O acompanhamento foi estendido até 2090, considerando o tempo que algumas doenças relacionadas à exposição podem levar para se manifestar.
Mais de 170 mil documentos da Prefeitura de Nova York foram tornados públicos. Os arquivos apresentam informações sobre as condições do ar na região e falhas na resposta aos ataques. Matthew McCauley, advogado e ex-paramédico que atua em casos de vítimas, avalia que os documentos também podem contribuir para pesquisas sobre os efeitos dos atentados.
Entre as pessoas que não estão contempladas atualmente estão aquelas que estavam no útero no momento dos ataques.







