A cirurgia micrográfica de Mohs pode durar de 4 a 6 horas, enquanto o procedimento convencional levaria cerca de 40 minutos. A diferença ocorre porque as margens do tumor são analisadas durante a própria operação, antes da reconstrução da área tratada.
O método é indicado principalmente para carcinomas basocelulares e espinocelulares, os tipos mais comuns de câncer de pele. Também pode ser usado em alguns casos raros e em situações selecionadas de melanoma. Tumores que já foram tratados e voltaram a aparecer no mesmo local também estão entre as indicações.
Onde a técnica pode ser usada
A cirurgia é especialmente considerada para regiões com pouco tecido disponível ao redor do tumor. Entre elas estão a zona H da face, que inclui olhos, nariz e testa, além do couro cabeludo, orelhas, região genital, pernas e mãos.
Nesses locais, a possibilidade de retirar apenas o tecido necessário pode ser relevante. Na técnica, o cirurgião remove inicialmente uma margem de 1 a 2 milímetros e amplia a retirada somente onde a análise identificar células tumorais.
Como a análise acontece
Na cirurgia convencional, a avaliação alcança, em média, entre 2% e 5% das margens do tumor. Para o dermatologista Carlos Alberto Bruno, isso pode deixar áreas sem análise. “Então, 98% não foi analisado”, explica.
Na cirurgia micrográfica, o material retirado é analisado no microscópio durante o procedimento. O próprio dermatologista pode realizar as etapas de remoção do tumor, avaliação das margens e reconstrução do defeito cirúrgico.
Segundo Carlos Alberto Bruno, a taxa de cura chega a 99% com a técnica de Mohs. Na cirurgia convencional, quando é usada uma margem de segurança adequada, os índices ficam entre 85% e 90%. O dermatologista afirma que a análise feita durante a operação evita que o paciente precise passar por um novo procedimento caso a biópsia indique comprometimento.
Por que o acesso ainda é restrito
O Brasil tem poucos profissionais habilitados para realizar a técnica. A formação exige credenciamento pela Sociedade Brasileira de Dermatologia e um número determinado de procedimentos sob supervisão até que o profissional domine todas as etapas.
O custo também pesa. O método utiliza mais material cirúrgico que a cirurgia convencional e depende de um criostato, aparelho usado para fazer o congelamento. Carlos Alberto Bruno leva o próprio equipamento quando realiza cirurgias em Sinop (MT).
A duração maior reduz a capacidade de atendimento. Um cirurgião consegue operar, em média, dois pacientes por dia pela técnica micrográfica, contra cinco a sete pela cirurgia convencional. Esse fator contribui para a oferta limitada, inclusive na rede pública.
O câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum entre os brasileiros. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 220.490 novos casos por ano no país, o equivalente a 31,3% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil.







